Do valor mais alto ao que não chega a ser tanto, não importa: se existe possibilidade de corrupção, desvio e conduta que possa ferir o que se chama de bom costume administrativo, tudo tem que ser investigado. E é justamente isso que a Polícia Federal (PF) vem fazendo com os números obtidos em decorrência da Operação Mederi, realizada em janeiro deste ano e que vem causando sérios problemas a alguns administradores públicos.
O jornalista Dinarte Assunção vem dissecando o tema em seu endereço virtual (veja aqui) e apresenta detalhes, tabelas, valores e como funcionava o maior esquema de desvio de verba da saúde no Rio Grande do Norte. Como foi dito, não importa o tamanho do rombo, e uma vez existindo deve ser investigado da mesma maneira. Afinal, pessoas podem ter morrido enquanto uns poderiam estar lucrando. E isso é, verdadeiramente, abominável.
O blog, com isso, vai seguir os passos expostos pelo jornalista Dinarte Assunção e começará pelo Alto Oeste até chegar o que a Polícia Federal chama de "pulmão" do esquema, cuja cidade é Mossoró.
Para se ter ideia da gravidade do problema, a Polícia Federal identificou a existência de 82 entes pagadores à empresa Dismed Distribuidora de Medicamentos, envolvendo diretamente 72 municípios potiguares e que representam um total de R$ 61,1 milhões que teriam sido desviados e chegado aos cofres da corrupção, atendendo interesses particulares e deixando o interesse público a ver navios.
Assim exposto, seguiremos a rota inversa: em Doutor Severiano, município localizado próximo à divisa com o Ceará e que tem pouco mais de sete mil habitantes. Por lá a economia segue os parâmetros da região, pautada na agricultura. Não existem indústrias e o comércio se mantém por força do dinheiro circulante e que vem de trabalhadores do campo e servidores públicos.
Com isso, e diante de uma realidade econômica que é delicada, a exemplo da maioria dos pequenos municípios, qualquer verba que fuja das reais necessidades da população faz falta. E muito. Aos olhos de alguns, e comparando-se o volume de dinheiro que teria caído na malha fina de um suposto esquema de corrupção, o quantitativo utilizado para este fim em Doutor Severiano pode ser muito pouco. Mas, frise-se, para uma cidade pequena, é muito.
Do Fundo Municipal de Saúde aparecem recursos no valor de R$ 67.793,61. O blog não está afirmando que a atual gestão de Doutor Severiano desviou esses recursos. Mas apenas reforça a tese exposta pela Polícia Federal acerca da possibilidade de desvio de finalidade.
Quem tem que explicar se houve ou não desvio é a prefeita Maria de Fátima. Ela, e somente ela, sabe onde, como e por quais motivos utilizou a verba do Fundo Municipal da Saúde com uma empresa que vem sendo apontada, pelas investigações da Polícia Federal, como responsável pela "evaporação" de milhões de cofres públicos municipais.
O blog está aberto para a prefeita Maria de Fátima. O silêncio, na maioria das vezes, compromete mais do que uma explicação.













