Na linha temporal filosófica, passamos pela Mitologia, pré-socráticos e Sócrates. Chegou a vez de um nome da Filosofia que rende treta em sala de aula até hoje. Suas ideias foram expostas no século IV a.C e, mesmo passado tanto tempo, repercute com gosto de gás. Fala-se aqui de Platão, grande impulsionador de algumas ideias adotadas por algumas religiões, dentre elas o Cristianismo e o Espiritismo. Diante da grandeza e da profundidade exposta pelo filósofo, o assunto será dividido em algumas postagens pra não ficar extenso.
Vamos começar pelo Mito da Caverna. No livro VII da obra A República, Platão apresenta o que ele denomina "Alegoria da Caverna" e faz uma exposição interessante em torno do conhecimento e da ignorância. Diz o livro que existia uma caverna onde lá estavam algumas pessoas que sabiam da existência de tudo por meio de sombras, projeções. Tipo uma fogueira acesa diuturnamente e que garantia a claridade de todo o ambiente. O movimento feito pelas sombras garantia a evidência de uma suposta realidade.
Ninguém sabia nada além do que as sombras mostravam. Até que um dia uma das pessoas resolveu sair e conheceu tudo: sol, luz, rios, mares, plantas, árvores, o céu... Chegou perto do que poderia ser a verdade. Quando retornou, tentou explicar aos que ficaram o que tinha visto e o resultado é que não foi compreendido e acabou sendo morto.
Em linhas gerais, a Alegoria da Caverna evidencia uma prática existente até hoje: existem dois caminhos, sendo um da ignorância e outro do conhecimento. O mais fácil é que a maioria escolhe, pois não precisa pensar e se aceita as supostas verdades sem questionamento.
Inclusive esta teoria vai fundamentar, séculos mais tarde, a divisão histórica da sociedade. As divisões de eras foram recheadas de adjetivos, a saber que a Idade Média foi chamada, pejorativamente, de "Idade das Trevas". Trevas é sinônimo de escuridão, que tem ligação com falta de luz. E falta de luz, na visão platônica, é falta de conhecimento. Depois da Idade Média, separado por uma transição chamada de Antropocentrismo ou Humanismo, em o Iluminismo, chamado de "Era da Luz" ou "Era da Razão".
Assim sendo, Platão vai influenciar, direta ou indiretamente, o percurso histórico que segue depois dele. Além da "Alegoria da Caverna", o filósofo apresentou outra teoria interessante. Fala-se aqui do que ele chama de "Dois Mundos". Platão divide tudo o que se pensa em duas realidades.
A primeira é onde tudo existe desde sempre, e é a quem Platão denomina de "Mundo Ideal ou Inteligível ". Nesta realidade tudo, está tudo que existe e que pode ser pensado. E nesta realidade, o pensado é perfeito. Vamos exemplificar: ao imaginarmos uma viagem, ela é perfeita. Será a dos sonhos, sem problemas e com perfeição. Ao iniciarmos a concretização dessa ideia, as falhas começam a aparecer. E assim ocorre porque, segundo Platão, a materialização da ideia se dá no "Mundo Real ou Sensível", e por assim acontecer, tudo de ruim poderá surgir na prática.
Em outras palavras, Platão raciocina que o Mundo Sensível, que é aquele em que moramos, é marcado pelos sentidos (tato, olfato, paladar, audição e visão). Para ser claro, quantas vezes ouvimos alguém nos chamar lá fora e quando vamos atender ao chamado não tem ninguém? O sentido da audição nos enganou. Quantas vezes estamos sozinhos em fazemos uma virada brusca no olhar e a sensação que chega ao cérebro é que vimos um vulto? E ficamos com medo de fantasmas. Mas fantasmas existem?
Platão deixou um leque incrível de teorias e neste post discorremos apenas sobre duas: Alegoria da Caverna e a que envolve os Dois Mundos. Aguardem as próximas,









