segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Resultado muito abaixo do esperado de Allyson em Mossoró reflete desgaste administrativo de sua 2ª gestão


O que já se percebia nas ruas de Mossoró apareceu nas urnas neste domingo. Allyson Bezerra, que tinha na própria cidade a expectativa de uma votação avassaladora para governador, obteve apenas 53% dos votos — desempenho muito abaixo do que era projetado e difundido pelo seu grupo político que dizia que ele teria 80% dos votos válidos em Mossoró 

Nos bastidores, o staff de Allyson trabalhava com uma votação próxima dos 80%. A expectativa divulgada era de um desempenho semelhante às grandes votações de Rosalba Ciarlini em Mossoró para o Governo e o Senado e havia até quem projetasse Allyson como o candidato a governador mais votado da história da cidade.

Quando as urnas se abriram, porém, veio a decepção .

Os 53% ficaram muito distantes do cenário propagado durante a campanha e transformaram Mossoró, que deveria representar a maior demonstração de força de Allyson, em um dos principais pontos de interrogação do resultado eleitoral.

O que já vinha sendo sentido nas ruas — insatisfação com o sucateamento das UPAs, falta de medicamentos nas, atrasos salariais de trabalhadores terceirizados e cobranças  à  Prefeitura — encontrou expressão política nas urnas.

O desempenho de Cadu de Lula talvez seja o exemplo mais evidente. Com a mossoroense Larissa  como vice, Cadu ultrapassou os 32% dos votos em Mossoró. Um resultado que seria considerado praticamente inimaginável no cenário político da cidade de apenas dois anos atrás.

Outro resultado emblemático veio de Cabo Deyvison. Com cerca de 44 mil votos somente em Mossoró, Deyvison mostrou uma força eleitoral impressionante na cidade e confirmou que uma parcela expressiva do eleitorado mossoroense procurou alternativas fora da estrutura política comandada pela Prefeitura.

Senado também acendeu o sinal de alerta

O resultado para o Senado reforçou ainda mais essa leitura.

Zenaide Maia, apoiada politicamente pelo grupo de Allyson, terminou somente na quarta colocação em Mossoró.

À sua frente ficaram Styvenson Valentim, Samanda de Lula — mossoroense que terminou eleita senadora — e Coronel Hélio.

Hélio protagonizou uma das maiores surpresas da eleição na cidade. Com aproximadamente 43 mil votos em Mossoró. 

Samanda, por sua vez, conseguiu transformar sua identificação com Mossoró em votação suficiente para superar tambem Zenaide dentro da própria cidade.

Assim, Allyson não apenas ficou muito distante dos 80% projetados para sua candidatura. Sua principal candidata ao Senado também saiu derrotada de Mossoró e, posteriormente, do Rio Grande do Norte.

Longe dos maiores resultados da história

A comparação histórica torna o desempenho ainda mais significativo.

Em 2010, Rosalba Ciarlini obteve aproximadamente 83% dos votos de Mossoró para governadora. Quatro anos antes, na disputa pelo Senado, alcançou cerca de 77% na cidade. Em 2014, Robinson Faria chegou à casa dos 70% na eleição para governador.

São números que ajudam a dimensionar o resultado deste domingo.

Allyson chegou à eleição cercado pela expectativa de que poderia se tornar o candidato a governador mais votado da história de Mossoró. Terminou com 53%.

Venceu na cidade, mas ficou muito abaixo do desempenho anunciado por seu próprio grupo e distante de votações históricas alcançadas anteriormente por outros candidatos em eleições estaduais.

O resultado também mostra que a extraordinária força eleitoral demonstrada por Allyson na eleição municipal anterior não foi transferida integralmente para a disputa estadual.

E talvez essa seja a principal mensagem deixada pelas urnas em Mossoró.

A segunda gestão já reproduz eleitoralmente o desgaste administrativo observado nos últimos dois anos, especialmente na saúde pública de Mossoró, que vive um cenário de caos.

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