terça-feira, 6 de outubro de 2026

Tapete vermelho para o homem do Nordeste


O resultado do primeiro turno das eleições trouxe, mais uma vez, o sentimento de repulsa ao povo nordestino. Comentários jocosos são postos nas redes sociais e expõem o que o ser humano tem de pior: tentar ser mais que o outro. Só quem nasceu no semiárido do Nordeste, onde o sol e o céu marcam o nascimento e a morte de muitos, vai saber o que é ser que é.

Ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de inferiorizar o outro por um aspecto geográfico. Mas, diante de uma sanha imensurável de unir religião e política, tudo parece poder ser. Mas não pode. Não deve e nunca traduzirá um sentimento nato de quem já se acostumou a ser o que é: do Nordeste, filho da terra e quente como o sol que, em algum lugar mais distante dessa região, deixa cicatrizes no solo e expõe um DNA próprio.

Lula, com certeza, não fez a melhor das administrações. Mas, certamente, apresentou ao mundo que é possível alguém desacreditado, nascido entre a fome, a pobreza e beirando a miséria, pode ser visto, acreditado e votado.

O fim do primeiro turno deixou duas possibilidades para o eleitor brasileiro: seguir em uma vertente multicultural ou voltar ao aspecto unilateral. As diversas leituras que existem no campo da literatura filosófica, sociológica, antropológica, econômica e outras, apresentam caminhos de compreensão do todo. Nem só de economia vive ou sobrevive uma sociedade. É preciso o equilíbrio: nem mais nem menos.

A questão é que quem tem mais (dinheiro) quer sempre ter mais. E quem tem menos ou não tem, sonha com a possibilidade de poder, ao menos, sobreviver com as diferenças.

Existem diferenças de todo tipo. Mas a principal dela é educacional. Uma sociedade que quer se desenvolver aposta suas fichas na educação. Alguns países nórdicos, como a Finlândia, apresentam essa constatação. No Brasil, a depender de quem queira e tenha chance de chegar ao seu comando, vem a ameaça primeira justamente na área.

E está sendo preciso, justamente, alguém saído da terra castigada pelo sol para mostrar que o caminho de desenvolvimento para os jovens já existe. E que é preciso focalizar nessa área para que a sociedade possa pensar em algum futuro.

É preciso voltar a dizer: Lula não é o salvador da pátria, mas quem se propõe a ser, inegavelmente, vai estar apenas enganando. É impossível mudar tudo. Mas, se ao menos as crianças tiverem o direito de continuar sonhando, já terá sido alguma coisa.

O Nordeste não é burro, como se diz por alguns de outras regiões do Brasil. O Nordeste pensa, produz e quer mais. O nordestino não precisa ser apresentado ao mundo como mera personagem do passado. Até porque os tempos são outros e a região, outrora tida como inoperante e contraproducente, mostra que é gigante e merece, sim, ser o espelho para o Brasil.

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