Segundo turno no Rio Grande do Norte e no Brasil. Dois modelos políticos e administrativos estão em jogo. E o interessante é que, por mais que se tenha avançado em alguns aspectos, tanto no cenário estadual quanto no nacional, uma palavra se destaca: mudança. O blog até concorda, em termos, com tal perspectiva. E o ponto que freia essa ideia, quando se analisa racionalmente os dois cenários (estadual e nacional), é justamente esse: mudar em qual sentido?
Discute-se, por exemplo, que é preciso sair da mesmice governamental e que a alternância seria benéfica. Raciocinemos: o Brasil já mudou de posição política em um passado recente. Mudar para o que estava antes, ao ver da razão, não seria boa ideia. Até porque seria o retorno de um olhar enviesado, de cima para baixo, e com pouco direcionamento para o coletivo.
Isso não quer dizer que, no âmbito federal, a coisa esteja perfeita. Não está, mas melhorou de um governo para outro. Mudar nem sempre é coisa boa. E a mudança pode ser para pior. O Brasil já experimentou essa questão e retorná-la não seria a melhor coisa.
Dentre tantas ideias em jogo, duas se destacariam: transferir a educação superior federal ao comando do Ministério da Ciência e da Tecnologia; e a outra é de expansão das escolas cívico militares, abolindo o que se chama de "doutrinação". Com isso, o Brasil voltaria ao cenário da segunda metade do século XX, quando se criticou o uso desenfreado da ciência para fins econômicos. Bem como de uma repaginada na grade da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), retirando a Filosofia e a Sociologia e, em seus lugares, disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil (OSPB), entrariam.
Em nome de subtrair a "doutrinação", algum candidato que foi ao segundo turno na disputa pela Presidência do Brasil não quer que os jovens pensem por si e apenas balancem a cabeça, para cima e para baixo - preferencialmente - concordando com toda e qualquer imposição governamental. A sociedade brasileira já passou por períodos semelhantes e não foi nada legal.
RN
No Rio Grande do Norte, guardadas as devidas proporções, o caminho é o mesmo do cenário nacional: dois projetos antagônicos vão continuam em disputa. Um segue o campo mais perto da laicidade e outro com os pés bem dentro do aspecto religioso. O mesmo que se percebe na disputa presidencial. O mundo já testemunhou que quando o homem coloca o teocentrismo em destaque, o resultado não é nada bom. E tudo de ruim é feito pelo próprio homem.
De maneira que o eleitor potiguar, principalmente os professores - e esse público também é essencial para a análise do cenário nacional - tem que esmiuçar ideias dos candidatos que estão no segundo turno e fazer a melhor escolha. No entendimento do blog, postulante a cargo eletivo que quer enfraquecer a estrutura de serviços públicos e direcionar para a privatização pela privatização, e somente por esta particularidade, quer voltar para algum lugar do passado.

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