quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Allyson adota o 'faça o que digo, não o que faço'


Vamos pensar um pouco? Recentemente o mossoroense Cabo Deyvison teve o mandato de vereador cassado por infidelidade partidária. Ele simplesmente não seguiu a orientação do seu então partido, o MDB, que optou por apoiar a candidatura do ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) ao Governo do Estado. Quem estava no bojo desse apoio, óbvio, achou acertada a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RN). Afinal, o vereador não seguiu as diretrizes do seu partido e migrou para outra legenda sem a anuência do MDB. Tudo ok.

Ocorre que agora quem estaria incorrendo em infidelidade seria o candidato Allyson Bezerra. Tudo porque a executiva nacional do União Brasil, partido ao qual o candidato é filiado, anunciou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência do Brasil neste segundo turno. 

Em tese, o candidato ao Governo do Rio Grande do Norte estaria sendo infiel às decisões tomadas pelo seu partido. Claro que em um escala inferior à decisão direcionada a Cabo Deyvison. Porém, não deixa de ser um caso visto e analisado como infidelidade.

O vocábulo infidelidade precisa ser analisado a partir do que o termo significa, e tomando como parâmetro o glossário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), temos por estas bandas um caso similar de infidelidade partidária.

Diz o glossário, sobre o que é infidelidade partidária: "Ato político daquele que não observa as diretrizes partidárias da sua agremiação ou abandona o partido político sem justificativa. A respectiva sanção está prevista no artigo 26 da Lei n.º 9.096, de 19 de setembro de 1995. O Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a perda de mandato eletivo por infidelidade partidária, conforme prevê Resolução TSE nº 22.610/2007."

Na análise que pode ser feita e de acordo com o entendimento que se tem a partir do que o termo quer dizer, a palavra diretriz se volta à compreensão de que seria um plano, linha, orientação... E, nesse sentido, teríamos a possibilidade de pensar em infidelidade?

E, com isso, cabe a pergunta básica: se um candidato não quer cumprir as orientações partidárias, como vai seguir um plano de governo ou manter a palavra dita durante a campanha? Se existe mudança de pensamento, como o eleitor vai assimilar alguma verdade no que está sendo dito?

Assim como fez a governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra, Allyson Bezerra quer deixar transparecer a ideia de que um governo estadual estaria desvinculado de ações federais. E é aí que entra um "oxe" bem expressivo.

Como é que um candidato a governador, que pede que os eleitores façam a opção entre ele e outro candidato e não tem opção formalizada? Não ficaria bem naquele senso comum de "façam o que eu digo e não o que eu faço"? Na hipótese mais plausível, Allyson Bezerra convoca o eleitorado ao comprometimento eleitoral, sendo que ele próprio evita se comprometer.  

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