As ideias lançadas pela extrema direita brasileira suscitam um passado tenebroso na história da humanidade. Olhem para os séculos XVIII e XIX, e para tanto basta fazer uma pesquisa, seja por meio da internet ou nos livros de História: a classe trabalhadora chegava a trabalhar 14 horas (ou mais) por dia e o seu salário era uma miséria. Isso aconteceu na Inglaterra e acabou se espalhando para outros territórios. Estamos no século XXI, em um país integrante da América Latina e ainda tem quem defenda que o salário do trabalhador deveria ser de acordo com a quantidade de hora trabalhada. E se tivermos esse retrocesso, e se essa ideia for aprovada por meio de mais uma reforma trabalhista, ao trabalhador sobrará apenas o chicote.
O Brasil está entre dois projetos distintos e bem delineáveis, já evidenciados pelos que estão na disputa eleitoral. Um lado, clara e abertamente, defende alterações na Constituição Federal e que, limpidamente, provocarão rupturas em direitos conquistados até com a morte de muitos trabalhadores e trabalhadoras no passado. Do outro, uma posição altamente contrária. O primeiro lado defende corte substancial e que afetará a saúde, educação e outras áreas prioritárias. O segundo, ampliação desses sistemas.
O primeiro turno das eleições brasileiras ainda mostrou que a falta de leitura, pesquisa e olhar para o outro são elementos cruciais para alguma coisa. No caso em questão, seria para pior. Bem pior. Teremos, como diz o filósofo alemão Hegel em sua obra Fenomenologia do Espírito, a aplicação de uma metáfora que envolveria o senhor e o escravo. Ambos são essenciais, mas o escravo acabaria assimilando (se quiser) a existência de desigualdade.
É o que se quer aplicar no Brasil: quem tem mais, economicamente falando, quer fazer valer uma suposta supremacia. Beira ao que a Alemanha assistiu no passado e todo mundo sabe o resultado. Ricos e pobres, patrões e empregados dependem um do outro para sobreviver. Impor uma mudança nas relações de trabalho já evidenciada falida pela própria história, ao ver do blog, não é boa ideia. E se acontecer, o País apenas vai ver o futuro repetir o passado, como muito bem diz Cazuza.
A política não pode ser vista como uma disputa cultural, típica da cultura de Parintins, onde o azul e o vermelho disputam. Evidentemente que o aspecto cultural vivenciado em Parintins é um baita espetáculo. E não se trata aqui de crítica. Apenas uma analogia entre as cores.
A política define o futuro, lida com vidas e projeta pessoas. E o principal caminho para esse futuro, como muito bem ensina Paulo Freire, é a educação. Como crer em um candidatura que vai enfraquecer o Ministério da Educação? Como ficarão os cerca de 80 Institutos Federais que estão em construção, sendo alguns bastante avançados? Como será o funcionamento das Universidades Federais? Como será tratada a área de Ciências Humanas, tão marginalizada por uma área do cenário político brasileiro? Certamente, como diria a personagem de Aracy Balabanian em alguma novela, vão "pra chon".
Ah, mas você está querendo dizer que o pobre não pode votar na direita? Pode. Mas tem que arcar com as consequências da decisão. E se decidir por um caminho não tão bom para a maioria não poderá, em tese, reclamar depois. E se votar, está querendo afirmar e reafirmar que concorda com a ideia de que a classe econômica superior pode, e devem continuar explorando a inferior. Em uma vertente etnocêntrica sem fim.
Em suma, como diz o desenho animado "Capitão Planeta", o destino está em suas mãos. Em nossas mãos. Dois dígitos separam os dois caminhos. Um nos não nos levaria à perfeição, mas direciona para a compreensão de que pessoas são pessoas e devem ser respeitadas. Inclusive em seus direitos. O outro, fatalmente ao abismo social, à manutenção das desigualdades e ao caos. Até econômico.

Nenhum comentário:
Postar um comentário