quarta-feira, 29 de julho de 2026

Pré-socráticos explicam o surgimento de tudo


Continuando com a nossa viagem à ruptura da Cosmogonia como transição para a Cosmologia, e como paramos em Tales de Mileto, é bom retornar um pouco a quem iniciou a tentativa de explicar, via elementos da natureza, racionalmente a origem de todas as coisas. Para efeitos de analogia, é bom que usemos um desenho animado - desconsiderado por muitos - para reafirmar a ideia de Tales. Ele afirmou que tudo é água e que esta não se transforma jamais.

Assim sendo, utiliza-se aqui a analogia relacionada ao desenho "A princesa e o sapo". Nesta animação, em linhas gerais, a princesa beija um sapo e este se transforma em príncipe. Alguns podem pensar que uma coisa não tem nada a ver com Tales de Mileto. Mas, se formos pensar direitinho, tem. E é preciso algumas perguntas para chegar ao que se quer.

A primeira: onde os sapos gostam de ficar? A resposta seria: em lagos, rios, locais úmidos. Onde existe água. A segunda pergunta: ao olhar a imagem de girinos, o que vem à nossa mente? Precisamos ver, obviamente, algumas fotos e, de cara, tem semelhança indireta com a formação de fetos humanos. A terceira e última questão: quando estamos no útero materno, ficamos envoltos em que? A resposta: líquido amniótico, que é nada mais do que... Água.

Então, com isso, tem-se uma confirmação, por analogia, que faz sentido. Além disso, maior volume do nosso corpo é formado por sangue, líquido. Se não tomarmos água, o corpo entra em colapso e morremos. Se perdermos líquido do organismo, definhamos do mesmo jeito e morremos. 

Como se pode perceber, Tales teria razão. E porque usa-se esse termo, "teria", em vez de "tem"? Além de Tales, outros filósofos naturalistas surgiram. E cada um afirma um elemento diferente como causador de tudo. E são chamados, também, de pré-socráticos, pois antecedem a Sócrates.

Depois de Tales surgiu Anaximandro. No popular, ele chutou a barraca e disse que, de outra maneira, que jamais a água seria responsável pelo surgimento de tudo e o que seria a origem, o Archè, era o Á-peiron. Ele afirma que trata-se de uma força espiral energética que cria tudo e destrói tudo. Para Anaximandro, seria um possível duas coisas existirem ao mesmo tempo e que para algo existir seria preciso alguma coisa anterior deixar de existir.

Em outras palavras, exemplifica-se com o dia e noite. Para o dia surgir é essencial que a noite se vá, e vice-versa. Os dois ao mesmo tempo, com a lógica que vem de Anaximandro, seria realmente impossível.

Na sequência vem Anaxímenes. Aqui, Tales, Anaximandro e Anaxímenes são da mesma origem, da cidade de Mileto. Ele afirmou, contrariando o mestre, que o Archè de tudo jamais geria condições de ser o Á-peiron e que o Ar deveria ser apontado como causador de todas as coisas.

Na visão dele, Anaxímenes, sem ar não existiria vida alguma. E, analisando aos olhos que a ciência nos permite hoje, faz total sentido. E ele acrescentou que por rarefação o ar se transformava em fogo e, por condensação, em gelo e pedra.

Estas duas particularidades podem ser vistas, por exemplo, no monte Everest, e em cavernas. O ar rarefeito, pouco ar, e gelado, transmite a sensação ao cérebro de que a pele estaria sendo queimada. Por isso que, quem for escalar o Everest deve fazê-lo com roupas apropriadas. E a condensação, nas cavernas, é explicada pelo surgimento de estalactites e estalagmites. O gotejamento, por décadas e ou séculos em um ambiente com pressão vai provocar o aparecimento de novo delineamento gráfico do ambiente.

Em seguida vem Heráclito de Éfeso, o Obscuro. Assim é chamado pelo fato de ter deixado apenas fragmentos, frases, sendo a mais conhecida a que se segue: "é impossível uma mesma pessoa se banhar nas águas de um mesmo rio duas vezes". Ou esta: "o arco e a lira se completam". Heráclito afirmava que uma coisa só existe se outra coisa também existir e que os contrários se completam.

E quando chega a esta parte muitos falam que a mente fica bugada. Mas faz total sentido. Vamos lá: o sol só existe se a lua existir. E vice-versa. Assim como noite e dia, morte e vida, doce e salgado. A exemplificar: uma pessoa que só provou o que é doce jamais saberá o que é salgado. E assim sendo, também não terá condições de afirmar que o doce o seja realmente.

Para Heráclito, o fogo seria o elemento central da ideia de tudo. E que a dança que as chamas do fogo faz remeteriam, necessariamente, à transformação. E ele diz justamente que tudo se transforma o tempo todo.

Saímos aqui da mudança para a permanência. Depois de Heráclito vem Parmênides de Eléia, que projeta justamente a ideia de que nada muda. Segundo ele, a teoria que garante isso é: "O ser é e o não-ser não é; do nada nada vem". Ele deu um nó na mente de muita gente com essa frase. Mas faz total sentido, se pensarmos racionalmente. 

Vamos lá: o que é, pode ser pensado e, portanto, existe. O que não é, não existe e, por isso, não teria condições de passar pelo pensamento. Complementando aqui: é inconcebível a ideia de que algo surja sem ter sido pensada. Daí ele dizer: "do nada nada vem".

Parmênides se referia à essência das coisas. Por esse motivo ele foi tido como o pai da Ontologia (onto+ ser; logia= estudo), logo ele se referia ao estudo das coisas, do ser, alma. Para efeito de analogia, uma gíria popular fala em "alma sebosa". E, se formos aplicar a teoria do filósofo, uma vez sebosa, sempre sebosa. Essa alma já teria surgido assim e jamais mudaria. Porque mudança não faz parte da filosofia de Parmênides.

O sexto filósofo, na sequência, é Pitágoras, fundador da escola Itálica e que explora princípios matemáticos e místicos. Para ele, tudo é número, que garante a harmonia da natureza e a estrutura do universo. Tudo isso, na visão dele, pode ser explicada por meio da Matemática. E, se pensarmos com a razão, faz total sentido. Tudo começa pelo número um e tem sequência racional. E, por conta disso, tem-se a confirmação de que o universo estaria sempre em expansão. Mas isso é coisa que a Física Quântica deve explicar.

O sétimo é Demócrito, criador da escola Atomista. Ele afirma a ideia de que tudo que existe vem do átomo. Talvez, por meio dessa ideia, tenhamos a explicação racional voltada para o universo: o famoso Big Gang, uma explosão que possibilitou a formação de tudo o que temos hoje, terá ocorrido por conta de choque envolvendo dois átomos. E boom... surgiu o universo como conhecemos.

Além disso, o crescimento do homem (de maneira geral), ocorre por causa desse encontro. Chega uma idade em que o crescimento vertical não se dá e que o choque atômico, de dois átomos, provoca a expansão horizontal. E, por isso, engordamos. Claro que a Biologia e a Química possuem mais detalhes dessa vertente. 

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