terça-feira, 28 de julho de 2026

Da Mitologia Grega a Tales de Mileto


No começo eram deuses, lendas, contos, fábulas. Mistérios que envolviam o surgimento de tudo e a origem de tudo era uma só: deuses. A Mitologia Grega, fundamental para questões filosóficas com o advento da razão, explica muita coisa que, como diz a poesia, existe entre o céu e a terra. Por sinal, estes dois (céu e terra) foram separados pelo tempo. F
ala-se aqui de Gaia, considerada mãe de tudo o que é vivo, e Urano, representando a vastidão espiritual e simbolizando o céu.

O que os separou, nada menos e nada mais, Chronos (tempo), filho dos dois. Enciumado do relacionamento dos pais, ele castrou Urano e o resultado está obra Hamlet, de Shakespeare, quando ele diz: "There are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy” (Existe muita coisa entre o  céu e a terra do que pensa a nossa vã filosofia).

A Mitologia Grega é rica em simbolismo e, de alguma forma, direciona para o cotidiano dos homens. Quem diria que, épocas depois que a ninfa Medusa ter sido violentada por Poseidon e ter atraído a ira da deusa Atena, ela simbolizaria o Mito do Feminismo (conhecido também por Mito da Medusa).

Reza a lenda mitológica que Medusa era a mais linda de todas as ninfas e que encantava a todos, também, pela beleza de seus cantos. O resultado todos já sabem: ela foi transformada em monstro, sendo a única de três irmãs nascida mortal (as outras duas eram gárgulas), e condenada a transformar em pedra quem a contemplasse diretamente nos olhos.

Imortalidade, segredos, oferendas, mortes. Tudo isso rondava a existência dos deuses, aos quais os homens oravam e suplicavam diariamente. Do Olimpo, casa dos deuses, eles observavam tudo. Diziam que não poderiam interferir em nada, embora aqui, ali e acolá se verifica algum meter o bedelho. Vem daí o que conhecemos hoje como livre arbítrio e que ganhou corpo em determinadas religiões.

O advento econômico, o fortalecimento das cidades-estados da Grécia Antiga, possibilitou a ruptura do pensamento mitológico. A ideia da existência de monstros marítimos já não colava em virtude dos portos abrigarem povos de diversas culturas. Surge, então, a necessidade de algo que pudesse explicar o surgimento de todos sem a particularidade envolvendo fábulas, crenças e deuses.

Até então tudo estava dentro da Cosmogonia, que é o estudo de narrativas envolvendo a origem de tudo com base em mitos, fábulas, crenças. Com o crescimento econômico, surge a Cosmologia, que é o estudo sobre a origem de tudo envolvendo a prática da racionalidade da observação do universo.

E quem inaugura esse pensamento é o filósofo Tales de Mileto (624-546 a.C). Matemático, astrônomo e considerado um dos Sete Sábios da Grécia Antiga (depois o titular do blog escreve sobre eles), Tales observou tudo criteriosamente e chegou a uma constatação interessante à época: tudo é água.

Ele percebeu que a vida existia por conta dessa particularidade da natureza. Tanto que ele é o primeiro nome que encabeça os Filósofos da Natureza. Eles observaram que a resposta para tudo já existia e que só precisava fazer o básico para compreender: olhar. A água é essencial para a vida. Sem ela o homem morre, não tem plantas nem animais.

Nos próximos escritos o blog sequencia o início da racionalidade para se explicar o surgimento de tudo. Aguardem!  


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