terça-feira, 12 de outubro de 2021

Apamim assume que autorizou entrada de prefeito em sala de cirurgia

A Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró, mantenedora da Maternidade Almeida Castro, assumiu a autorização da entrada do prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) em sala de cirurgia onde estava sendo realizada intervenção ginecológica. O fato ocorreu no dia 8, oportunidade na qual o prefeito fez um vídeo e fotos para propagar a retomada de cirurgias eletivas em Mossoró. A Apamim, na nota que publicou nesta terça-feira, 12/10, deixa entender que tudo seguiu dentro do previsto. Ou seja: não ocorreu nada de mais.

Mas é bom que se diga que a nota da Apamim acoberta uma suposta violação dos direitos de pacientes. No caso em questão, de uma mulher que estava se submetendo a um procedimento cirúrgico íntimo, o qual o prefeito e sua equipe de assessores puderam ver, in loco, as ações que estavam sendo feitas pela equipe médica.

Na nota, a Apamim diz que evita exposição de pacientes. Contudo, quem estava com o prefeito pôde ver, perfeitamente, quem era a mulher que estava fazendo a cirurgia ginecológica. E mais: acompanharam um pouco o que estava sendo feito. Dizer que não houve exposição de paciente, ao ver do blog, não procede: vídeo foi feito e fotos foram tiradas. Se isso não for exposição, certamente a Apamim consegue atribuir outro sentido.

A nota, que foi publicada no blog do jornalista Carlos Santos (leia aqui), enfatiza que a presença do prefeito na Maternidade Almeida Castro era para inspecionar a gestão do SUS e os serviços que a maternidade oferece. E, do nada, surge um vídeo? Do nada se percebe flashes sendo disparados, indicando que fotos estavam sendo feitas? Do nada o prefeito fala sobre a retomada das cirurgias eletivas? O blog sente muito, mas não acredita em nenhuma linha do que foi divulgado pela Apamim.

Talvez para livrar a "cara" do prefeito, a Apamim resolveu assumir que errou. Mas é bom destacar que o Conselho Regional de Medicina já avisou que vai investigar o caso e formalizar denúncia ao Ministério Público. Não se pode tudo em nome do marketing.

E também é bom lembrar que a Apamim segue em intervenção, que deveria durar dois anos, e já passou e muito do tempo. E essa intervenção foi justamente para evitar uso politiqueiro da entidade filantrópica. Será que não seria bom pensar na intervenção da intervenção?

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