segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

‘Queremos construir essa nova eleição de maneira que a oposição esteja fortalecida’


O grupo oposicionista ao Governo do Estado, capitaneado – até agora – pelo vice-governador Robinson Faria (PSD) tem externado interesse em atrair a deputada estadual Larissa Rosado (PSB) à composição da chapa majoritária. Os 63.309 votos obtidos por ela na eleição de 7 de outubro último, quando disputou a Prefeitura de Mossoró, chamaram a atenção de Robinson, que tem demonstrado claro interesse em disputar o Governo do Estado nas eleições do próximo ano. Larissa, nesta entrevista, avisou que seu interesse, a priori, seria buscar a reeleição, mas disse que o seu agrupamento político quer participar e opinar sobre o fechamento das chapas majoritária e proporcional. A parlamentar também disse que o PSB mossoroense pode apresentar nomes à formação da chapa. Disse ainda que é possível a aliança envolvendo o PSB, PSD, PDT, PT e até o PMDB. Na entrevista, Larissa discorre sobre as divergências envolvendo o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa, bem como faz críticas indiretas à administração da prefeita mossoroense Cláudia Regina (DEM). Confira abaixo:

 

O vice-governador Robinson Faria e a deputada federal Sandra Rosado colocaram seu nome como alternativa à formação da chapa majoritária às eleições de 2014. A senhora tem interesse?

Serei candidata à reeleição. Integramos um partido que vai participar ativamente das discussões, logicamente. Nós queremos opinar e queremos que Mossoró, que o PSB possa, sim, indicar um nome para a majoritária. E vamos fazer essa discussão não só na majoritária, mas também nas coligações proporcionais. Temos que lembrar que Mossoró é o segundo colégio eleitoral do Estado e tem muita importância nesse debate. O nome, vamos discutir.

 

Então a priori o seu projeto seria a reeleição?

SIM, inicialmente a reeleição. Reafirmo que Mossoró é uma cidade muito importante nesse processo e queremos discutir, participar e opinar sobre a formação da chapa.

 

Como a senhora vê a movimentação da oposição nesse sentido?

Considero importante que a discussão seja feita, levando, primeiramente, em consideração os interesses do povo do Rio Grande do Norte, que tem ficado à margem do processo administrativo do Estado, que não tem sido ouvido pelo atual governo. Nós temos que fazer esse movimento de forma que você junte o político à necessidade da população. A oposição se movimenta nesse sentido. Espero que possamos marchar todos juntos: PSB, PT, PDT, PSD e que venham mais partidos, e serão bem vindos nesse momento de discussão de formação de chapa.

 

A senhora consegue vislumbrar algum nome que poderia unir a oposição em torno de projeto único?

Temos muitos nomes que são citados na oposição. Observamos o desejo do vice-governador Robinson Faria de ser candidato a governador. Ele é um grande nome nesse processo eleitoral, sem dúvida alguma. Nós vamos lutar para que a oposição esteja unida em torno de um nome, seja Robinson ou outro que possa vir, mas o que temos em discussão e de maior destaque é o dele. Queremos construir essa nova eleição de maneira que a oposição esteja fortalecida. Mas também considero que não podemos antecipar a campanha eleitoral de 2014 para 2013. A população tem interesses importantes a serem atendidos, o desenvolvimento do Estado. A questão social... É importante trabalharmos pelo desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

 

A votação que a senhora obteve na eleição passada a projetou politicamente. Tanto que o vice-governador externou interesse em seu nome...

O que coloco com relação à majoritária é que o nosso grupo quer opinar e participar. Não significa que seja o nome de uma pessoa que esteja, obrigatoriamente, com mandato. Pode ser outro nome no contexto de composição política no Estado do RN. Sem dúvida sai fortalecido da eleição municipal. Em 2008 tivemos uma votação que representou 37,44% do eleitorado. Já em 2012 tivemos 63.309 votos, correspondendo a 46,97% do eleitorado. Mas é importante colocar que essa é uma decisão coletiva. Não uma decisão pessoal. Vamos continuar desenvolvendo nosso trabalho como deputada estadual.

 

A senhora acha possível a união do PSB, PSD, PT e atrair o PMDB?

Acho que é possível, sim. Estamos, todos esses partidos, na oposição. O PT, PDT, PSB, PSD, todos fazendo trabalho importante para o Rio Grande do Norte nas Prefeituras, nas Câmaras, na Assembleia. Esse trabalho refletirá, certamente, nas eleições de 2014. E quem vier, será bem vindo. A política se faz com o diálogo, com a conversa e com a construção de projetos para o Estado.

 

E o PMDB?

É bem vindo. O PMDB será bem recebido. A oposição está aberta a essa possibilidade. Com relação à composição de chapa, isso será conversado com os partidos que já fazem parte da oposição.

 

A partir de qual momento a questão de nomes será discutida?

Acho que não devemos antecipar. Temos que trabalhar pelo Rio Grande do Norte. A eleição é o próximo ano e estamos há mais de um ano das convenções. Sei que o tempo passa rápido, mas considero que o final do ano seja um momento interessante para que essa discussão seja feita. Vamos trabalhar projetos para a população e tenho certeza que os nomes surgirão naturalmente a partir dessa discussão e desse trabalho. Até porque haverá o reconhecimento natural da população sobre quem teve destaque e quem tem condições de levar esse projeto à frente.

 

Com relação à queda de braço entre Governo e Assembleia, existe algum empecilho no relacionamento entre os poderes?

Considero que não há queda de braço entre Governo e Assembleia. Existem posturas, por parte do Governo, as quais nós não entendemos e que muitas vezes soa como se não respeitasse a posição da Assembleia, que é um poder independente e está fazendo o seu papel, votando, opinando e trazendo assuntos de interesses do povo do RN à tona permanentemente, bem como contribuindo. Quero ressaltar aqui que os deputados da oposição têm feito a sua parte: debatendo questões ligadas ao orçamento, questões sociais e mostrando que o Governo do Estado está devendo muito ao povo do RN. O Estado tem arrecadado como nunca e não estamos vendo desdobramento, em favor do desenvolvimento, na vida das pessoas.

 

A senhora faz referência a que diretamente?

À arrecadação. Quando digo que o Governo está devendo, digo que estamos vendo uma gestão altamente centralizadora. Podemos observar a questão da saúde, do ITEP, da Polícia Militar... Inclusive, foram divulgados dados da Justiça, e quando fala na Polícia Militar, considera que a nossa polícia está mal aparelhada, mal remunerada, sem condições de trabalho. Observamos que a arrecadação do Estado cresceu, somente em 2012, 16%. Nos primeiros anos do governo de Rosalba (Ciarlini), o Rio Grande do Norte teve excesso de arrecadação na ordem de R$ 1,4 bilhão, somente com ICMS, FPE, Royalties. Tivemos conhecimento de um estudo do Sebrae, que diz que esse montante daria para construir duas Arenas das Dunas, ao custo de R$ 400 milhões cada, três pontes Newton Navarro, no valor de R$ 200 milhões cada uma. Então, o Governo do Estado precisa trabalhar, escutando o que o povo deseja, escutando o servidor público, deixando a administração mais democrática e mais aberta.

 

A senhora está acompanhando a efetivação dos projetos relacionados aos vetos da governadora que foram derrubados?

Alguns vetos foram derrubados, como o do Hospital da Polícia Militar, do Instituto Histórico (e Geográfico do RN), da Defensoria Pública, da Fundação José Augusto... Foi votado o crédito suplementar para os poderes e nós tivemos também aprovados projetos que haviam sido votados pelo Governo do Estado e tivemos, graças a Deus, a aprovação de projetos importantes para o nosso Estado. Nossos projetos aprovados criam proteção aos servidores da educação pública e o da obrigatoriedade de carteiras para portadores de deficiência. Como isso se deu agora, a partir desse momento é que vamos acompanhar e exigir do Governo a instalação e o cumprimento dos projetos.

 

Com relação à política municipal, qual será a sua participação no grupo de oposição ao governo?

Nós vamos fazer oposição responsável, com certeza. Mas considero que não dá para fazer avaliação administrativa, do que foi feito até agora. Considerando que é cedo para avaliar, nós observamos que não se percebe mudança para a cidade. Pelo contrário: o sentimento que se encontra em Mossoró é a continuidade de um modelo de administração esgotado, de um grupo que está no poder há 16 anos.

 

E sobre a contratação da empresa Falconi...

Acho que é cedo, vou repetir, para avaliar. Tivemos aí uma reforma administrativa que não foi debatida com o povo, que não foi debatida como deveria ser. Então, está cedo para fazer a avaliação. Logicamente que, quando surgir o momento de fazer essa avaliação será feita. Os vereadores estão aí para fazer esse trabalho na Câmara Municipal, e tenho certeza que cada um vai cumprir seu papel de vereador e de deputado.

 

Fonte: Jornal de Fato

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