sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tudo por uma questão de prioridade

Terra seca. Gado morrendo sem comida e sem água. A seca castiga o Nordeste brasileiro, obrigando milhares de famílias a viver em situação precária, e ainda tem gente esperneando pela não-realização do carnaval em algumas cidades. No caso do Rio Grande do Norte, a situação está calamitosa. O racionamento de água já é orientado, pois não se sabe quando a chuva virá. Até agora, as previsões dos meteorologistas não são boas. E o jeito é continuar à espera, quem sabe, de um milagre.

Os que esperneiam contra a suspensão do carnaval não sabem, talvez, como é a vida no sertão. Não sabem o que é viver, mesmo em tempos normais, em contínuo racionamento. Seja de água ou de comida.

A questão relacionada à suspensão do carnaval nada mais é do que os municípios elegerem prioridades. Não seria justo, ético e moral investir uma dinheirama na contratação de bandas enquanto o cidadão sofre com a falta de água e vê o seu único meio de vida definhar e morrer. Sim, porque é do campo que vem a fartura que chega à mesa de quem tem dinheiro: carne, feijão, arroz, verduras...

Acertadamente, prefeitos que informaram suspender a folia (a informação está no portal www.defato.com) o fizeram com base na premissa de que a vida do trabalhador rural vale mais do que alguns dias de festa. A alegria que seria proporcionada no carnaval, ao ver do blog, se torna pequena diante de uma realidade cruel e que massacra o homem do campo. Já diz o ditado: quem sabe onde o sapato aperta é quem o usa. Ou seja: somente quem sofre com a fome e com a sede é quem vivencia isso. O resto é balela.

Municípios maiores, como Mossoró, por exemplo, terão suas festas. Ocorre que a situação da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte nem chega perto do que se vive, por exemplo, em Almino Afonso. Por aqui ainda se tem água nas torneiras. Em cidades menores, nem isso, pois açudes estão em níveis - quase - impróprios ao consumo humano.

Tudo é só uma questão de prioridade.

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