sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

'É imprescindível a identificação de prioridades'


A pró-reitora de Ensino de Graduação (PROEG) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), professora Moêmia Gomes de Oliveira Miranda –  doutora em Educação – entrou de vez na linha sucessória do reitor Milton Marques de Medeiros, que concluirá seu mandato em 28 de setembro do próximo ano, dia em que se dá, anualmente, a Assembleia Universitária. O blog conversou com Moênia e percebeu que ela se apresenta como alternativa viável e que apresenta boas ideias para a Academia. Confira abaixo a entrevista:

A sucessão do reitor Milton Marques de Medeiros já começou no campo da especulação. O nome da senhora aparece entre os prováveis candidatos. A Pró-Reitoria de Graduação tem como projetar o seu nome à sucessão da Reitoria?
Ao longo de minha vida profissional acumulei saberes e experiências no campo da gestão pública. Tais vivências, reacenderam a reflexão a respeito das bases teóricas e metodológicas que sustentam a concepção de gestão do trabalho coletivo e cooperado, cujo aprofundamento ocorreu com minha atuação na universidade enquanto docente e, posteriormente, como Pró-Reitora de Ensino de Graduação.

A Pró-Reitoria projeta um trabalho construído coletivamente, que tem propiciado sua melhor inserção em todos os cursos da UERN, gerando uma maior aproximação e envolvimento com a realidade do ensino de graduação, identificando como este se articula com as demandas sociais existentes e com a pós-graduação, a pesquisa e a extensão.

Nesta perspectiva, a nossa gestão à frente da PROEG, tem contribuído para maior agilidade nos processos de regulação dos cursos, fortalecimento e ampliação dos programas de apoio ao ensino de graduação (PET, PIM, PIBID, PRODOCÊNCIA), oferta de cursos de graduação em caráter especial através do PARFOR e da Universidade Aberta do Brasil (UAB), o aprimoramento do sistema de registro e acompanhamento da vida acadêmica, revisão e ampliação das normas institucionais relativas ao ensino, maior interação com os campi avançados, fortalecimento das ações relativas a apoio e inclusão de alunos com necessidades especiais, além da captação de recursos através de órgãos de fomento como CAPES e CNPq.

A gestão foi fortalecida e qualificada com a nossa participação no Fórum Nacional de Pró-Reitores de Ensino de Graduação – FORGRAD que vem possibilitando o profícuo diálogo com as universidades brasileiras no sentido de socializar o trabalho desenvolvido, bem como a identificação de estratégias conjuntas para o enfrentamento dos problemas que permeiam a educação superior.

A efetivação dessas ações pela PROEG não é apenas mérito de seus gestores, mas decorre do esforço empreendido pela equipe de assessores e técnico-administrativos. Acreditamos que esta concepção de gestão nos credencia para participar do processo sucessório à reitoria da UERN.
  
A senhora tem interesse em entrar na disputa?
Hoje, me deparo com uma articulação em torno do meu nome para a sucessão da reitoria da UERN. Acredito que isso é fruto do trabalho que estamos realizando, em equipe, no âmbito da PROEG, com o qual a comunidade uerniana está se identificando. Assim, motivada pela vontade do coletivo, coloco o meu nome à disposição da UERN para a sucessão da reitoria.

A UERN terá orçamento de R$ 217 milhões em 2013 e o seu maior desafio é o custeio. Como fazer para aliar política de desenvolvimento institucional (com novos cursos e necessidade de pessoal) com a demanda para a sua manutenção?
Embora tenha havido um acréscimo no orçamento da UERN, os recursos disponibilizados para 2013 ainda estão aquém das demandas apresentadas pela instituição, dificultando a retomada de obras paralisadas, impossibilitando investimentos em novas obras e comprometendo, sobretudo, as despesas com custeio. Como se não bastasse, ainda há o contingenciamento que pode reduzir o orçamento em até 30% do valor proposto inicialmente. O desenvolvimento institucional requer autonomia, inclusive financeira, para que a universidade construa a capacidade de orientar-se para uma atuação contextualizada, coerente com os interesses da sociedade.

Dessa forma, é imprescindível a identificação de prioridades, o planejamento participativo e a avaliação permanente da implementação do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). No que se refere à criação de novos cursos e ampliação dos recursos humanos, faz-se necessários estudos de demanda e de viabilidade.

O que fazer para incrementar cursos e, ao mesmo tempo, fazer com que a Universidade esteja mais presente na sociedade?
Entendemos que os problemas da sociedade são os problemas da Universidade, considerando que ela (a Universidade) é sua legítima instância de reflexão crítica e de síntese de teorias que possam orientar o atendimento às suas demandas. Neste sentido, tem como desafio elaborar uma compreensão ampla e fundamentada relativa às finalidades e transformações da sociedade. A universidade não pode perder sua vocação crítica e sua capacidade de visão de conjunto, uma vez que faz parte da totalidade da vida social.

Assim, é preciso pensar a criação de cursos de graduação e pós-graduação e no desenvolvimento de ações de extensão, levando em consideração as necessidades locais.

Além disso, também é necessário inserir precocemente os alunos de graduação nos espaços onde a vida e o trabalho ocorrem, produzir conhecimento e desenvolver ações de extensão coerentes com a realidade social, dialogar permanentemente com gestores dos serviços nos quais ocorre a inserção de alunos da UERN, bem como com os movimentos sociais e estudantes, e desenvolver ações de ensino, pesquisa e extensão de modo articulado.

Como a senhora avalia a política extensionista atual?
A política de extensão da UERN tem ampliado, sistematicamente, seu raio de ação no âmbito da sociedade através de parcerias com diversas instituições, tendo em vista o desenvolvimento de ações e projetos. No entanto, enfrenta o desafio de se consolidar como uma prática essencialmente acadêmica no sentido de se constituir como a síntese entre o fazer universitário e a realidade social, articulando processos educativos e produção de conhecimentos, numa dinâmica que interliga ensino e pesquisa de uma forma engajada socialmente.

A extensão possibilita a ampliação do acesso à universidade daqueles que não foram contemplados pelo ensino superior. De igual modo, possibilita ao aluno uma formação universitária referenciada na realidade social, nas suas carências e necessidades.

Os cursos de Mestrado e Doutorado são suficientes para atender a demanda e às exigências do MEC?
O MEC define na Resolução Nº 3 de 14/10/2010 como critério para o recredenciamento das universidades a implantação de dois programas de doutorado e quatro programas de mestrado. Atualmente, a UERN oferta sete cursos de mestrado e já conta com duas propostas de doutorado construídas. Além destes, a UERN tem docentes participando de um Mestrado Interinstitucional em Direito ofertado pela UFRN, bem como de um Doutorado Interinstitucional-DINTER ofertado pela PUC/PR, além do DINTER em Ciências da Saúde ofertado pela UFRN e de um DINTER em Educação ofertado pela UERJ, previsto para o início de 2013.

Desse modo, a UERN, nesse aspecto, está numa situação confortável diante das exigências do MEC para o processo de recredenciamento. No entanto, considerando-se que a capacitação docente constitui-se numa necessidade permanente sempre haverá novas demandas.

Qual será o principal desafio da próxima gestão?
Aprofundar a qualidade social da educação superior no âmbito da UERN. Significa entendê-la como patrimônio público, o que requer a produção de conhecimentos e uma formação acadêmica com um sentido de pertinência social, bem como pressupõe autonomia para identificar as prioridades e o conteúdo social das carências e demandas sociais. Nesse sentido, faz-se necessário: a consolidação da relação da universidade com a educação básica, o fortalecimento da aproximação com os serviços nos quais ocorre a inserção dos alunos da universidade, o aprofundamento da formação pedagógica do docente, o redimensionamento da política de expansão do ensino, o aprofundamento da articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão e a ampliação do debate sobre a autonomia universitária.

É possível transferir a Reitoria para o Campus Central?
A instalação da Reitoria no Campus Central possibilita uma maior aproximação física e, consequentemente, o estreitamento da relação com as Pró-Reitorias de Ensino, de Pesquisa e de Extensão, bem como com os cursos de graduação que se concentram no Campus Central. No entanto, essa distância física não se constitui em uma barreira de acesso à reitoria que inviabilize o encaminhamento das demandas. Assim, não se apresenta como uma prioridade para a universidade. 

No campo da pesquisa, como a senhora - caso seja eleita reitora - faria para direcionar o saber acadêmico em benefício da economia regional, já que temos o sal, ferro e petróleo como principais eixos econômicos?
No contexto atual predomina uma compreensão de que a educação superior deve ter como centralidade das suas ações a economia e a capacidade laboral. Assim, as demandas têm um sentido mais imediatista, levando grande parte das universidades a abdicar, pelo menos em parte, da sua histórica finalidade de produção do conhecimento e da formação humana integral como bens públicos, adotando, dessa forma, o mercado e não as carências e necessidades da sociedade como referência.

Entendemos a educação superior como patrimônio público, que assume o compromisso ético-político com a produção de conhecimentos com pertinência social. Esse compromisso extrapola, portanto, uma função meramente instrumental de capacitação técnica e de treinamento de profissionais.

Desse modo, a responsabilidade social da educação superior consiste em produzir e socializar conhecimentos que tenham não só mérito técnico-científico, mas também valor social e formativo, o que requer apreender as demandas econômicas, sem, contudo, restringir-se a elas. Com esta compreensão, considerando as riquezas naturais disponíveis em nossa região, poderemos propor estudos sobre as demandas e as condições objetivas para a efetivação de ações da universidade que venham a favorecer o desenvolvimento da região.

A política dos Núcleos Avançados de Educação Superior deve ser mantida?
A expansão do ensino superior na UERN se constitui em política fundamental no atendimento às demandas da sociedade. Ela se expressa na significativa oferta de vagas, e abertura de novos cursos, aliada à ampliação de suas unidades em diversas regiões do Estado.

Com essa política, a UERN está presente em diversas regiões contribuindo com a formação profissional de seus cidadãos, bem como com a produção de conhecimento e, dessa forma, participando do desenvolvimento da sociedade.

A repercussão social que esta política vem assumindo coloca a universidade diante do desafio de aperfeiçoá-la e consolidá-la a partir de um estudo de demandas locais e regionais, considerando as condições de infra-estrutura, de disponibilidade de recursos humanos e financeiros, e respeitando a autonomia institucional em seus diversos níveis.

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