sexta-feira, 7 de março de 2014

... Que as vespas se espalhem

Louva-se a ideia de realizar auditoria na folha de pessoal da Prefeitura Municipal de Mossoró. Precisava? Certamente. É necessário saber se realmente existem distorções envolvendo questões salariais e desvio de funções. Todo e qualquer administrador deveria colocar tal medida em seu plano de governo. Ou mais: anunciar já na leitura anual que se faz em todo início de trabalho legislativo que irá fazer a checagem na folha. Até porque servidores se aposentam, se invalidam e morrem. Daí a necessidade.

Contudo, não se espere muita coisa em Mossoró. Até porque o prazo estipulado pelo contrato entre a Prefeitura Municipal e a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) foi curto. O blog se refere ao tempo de análise. Apenas de janeiro a dezembro do ano passado. Doze meses. Se existir algum dano ao erário, pouco vai aparecer. Se era para investigar indícios de irregularidades, que fosse de período bem mais amplo.

O que o blog quer dizer é que perde-se dinheiro para pouca coisa. Sim, porque fica caracterizada a ideia de que a auditoria apenas vai explicitar supostas falhas que tenham ocorrido na gestão da prefeita afastada Cláudia Regina (DEM). Que, a bem da verdade, passou onze meses na Prefeitura e não teve tempo sequer de administrar. Esteve envolta, o tempo todo, em defesas judiciais que culminaram cassando o seu mandato.

Seria bom que a auditoria fosse bem mais atrás. Algo em torno de 1996 para cá. Pegaria cinco gestões: Dix-huit Rosado (já falecido), Sandra Rosado (atual deputada federal, mas cumpriu mandato de 70 dias quando da morte de Dix-huit), Rosalba Ciarlini (hoje governadora, mas que foi prefeita três vezes), Fafá Rosado (prefeita duas vezes) e Cláudia Regina (prefeita por 11 meses).

Percebem que se teria algo bem mais amplo a se discutir? Teria-se um cenário bem abrangente e não se restringiria a apenas 11 meses. Aí fica nítida a intenção de se afirmar que tudo o que for constatado na Prefeitura de Mossoró terá sido apenas de uma administração. Igual à dívida de R$ 46 milhões, sendo 16 milhões só da saúde.

Pelo sim, pelo não, o blog quer dizer que o prefeito interino Silveira Júnior acertou ao promover a auditoria. Só errou com relação ao período a ser fiscalizado. Se é para mexer no vespeiro, que as vespas se espalhem.

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