O que diferencia uma candidatura de outra? A ex-primeira-dama de Mossoró e candidata à deputada estadual Cinthia Pinheiro (União Brasil) tem esbravejado com quem diz que ela está sendo beneficiada com um esquema de criação de uma nova oligarquia política, principalmente em Mossoró, e tem afirmado que querem minar o seu projeto pelo fato dela ser mulher. Usa a questão de gênero para tanto e tira a importância de uma pauta tão essencial para a sociedade ao afirmar que ela está candidata por decisão própria e que não tem o dedo do marido, ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), na decisão.
Ocorre que os fatos postos provam justamente o contrário. Dados do Divulga Cand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), põem abaixo essa correlação apresentada e aponta para continuidade de decisões patriarcais na jogada. Vamos aos dados:
O União Brasil tem nove postulantes à Assembleia Legislativa. Destes, três são mulheres. Onde é que o blog quer chegar? Justamente no quesito equidade entre direitos de homens e mulheres na sociedade. Onde não se tem interferência masculina em poder de decisão, implica pensar na possibilidade de equilíbrio e que todos e todas teriam as mesmas oportunidade, direitos e deveres. É o que nos mostra, por exemplo, a pesquisa da americana Margaret Mead.
O blog foi atrás da distribuição do Fundo Partidário. Das três mulheres que tentam chegar à Assembleia Legislativa, sabem quantas receberam verba do partido, seja da executiva nacional e estadual?
A resposta não poderia ser outra: Cinthia Pinheiro. E não tem outra explicação: o marido é candidato ao Governo do Estado e deve ter feito essa exigência em detrimento das demais candidatas do partido, tanto à executiva nacional quanto ao diretório estadual.Sabem quanto Cinthia Pinheiro recebeu da executiva nacional? O blog diz: R$ 500 mil. Somando-se a mais R$ 50 mil do diretório estadual, chega aos R$ 550 mil.
E quanto chegou para as outras duas candidatas, Marlene Bezerra e Natália Leopoldina? Natália chegou a ser contemplada com o repasse de R$ 65 mil da executiva nacional e Marlene não recebeu nadica de nada. Pelo menos é o que consta no Divulga Cand.
Com isso, o discurso de gênero cai por terra. Ou será que, na leitura que se diz, existe alguma abertura para que haja benefícios para mulheres que sejam esposas de candidatos ao Governo do Estado? Se existir alguma literatura desse tipo, o titular do blog gostaria de ter acesso.
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