segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Mundo Inteligível e o Anel de Giges

O que você vê em alguns filmes tem origem no que filósofos pensaram um pouco antes. No caso deste teórico, o tempo anterior vem do século IV a.C. Platão é um dos nomes da Filosofia Clássica que ainda não caíram em desuso. E aqui, ali e acolá é possível  enxergar suas ideias fundamentando alguma coisa: da filmografia à religião.

O post de agora sequencia o anterior e discorrerá, inicialmente, sobre a ligação que pode ser feita entre Platão e a religião. A imortalidade da alma está presente diretamente no pensamento platônico. Ao projetar a teoria dos "Dois Mundos", por exemplo, o filósofo evidencia que o Mundo Inteligível é onde existiria a chamada imortalidade, um mundo perfeito e que se vislumbra no ideário religioso por meio do Céu.

E faz total sentido. Todos nós perdemos alguém na vida e o que supostamente nos conforta é ouvir: "não chore, fulano ou fulana não está mais sofrendo. Está com Deus". Aplicando a teoria de Platão nesta frase, onde seria o lugar onde não existiria mais dor a não ser no Mundo Inteligível? Como se percebe, tudo pode ter conexão com tudo.


Além dessa perspectiva, é preciso compreender que existem conceitos que residem no Mundo Inteligível, como verdade, justiça e beleza. Platão é categórico ao trabalhar a possibilidade de termos uma verdadeira realidade que somente pode ser acessada pela racionalidade, pela razão.

É neste mundo, o Inteligível, onde estão todas as formas perfeitas e eternas. E aí inclui-se a alma. Bem como as ideias. Existem desde sempre e para sempre. Por isso que ele defende alguns critérios para se atingir a racionalidade, que vem por meio de estudos (será outro post).

Além dessa questão, Platão nos apresenta um mito interessante que se volta ai poder. Trata-se do Anel de Giges. A ideia platônica sobre essa questão reside em uma história que foi utilizada na trilogia O Senhor dos Anéis, que versa sobre invisibilidade a quem usar determinado anel.

E é justamente o que trabalha Platão nessa alegoria. Giges era um pastor de ovelha que, em determinado momento encontrou um caixão e dentro dele estava um gigante utilizando um anel. O pastor pegou o adereço e guardou. Ele percebeu que ao usar o anel como bracelete ou pulseira e quando girava a joia contida nele, ficava invisível.

Trata diretamente das consequências de um poder utilizado sem a devida racionalidade e que busca apenas que coisas sejam imediatas. 

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