É cedo para prognóstico. Mas o cenário que se desenha, neste período de pré-campanha, apresenta um quadro que tende a alterar a composição da representação do Rio Grande do Norte na Câmara Federal a partir de 1 de janeiro de 2027. Hoje, por exemplo, o Partido dos Trabalhadores (PT) possui duas cadeiras na Casa e, óbvio, a questão que se apresenta é justamente sobre a renovação desses mandatos. Fala-se aqui de Fernando Mineiro e Natália Bonavides.
A dúvida, contudo, não paira somente sobre Mineiro e Natália. Da eleição de 2022, por exemplo, a bancada federal potiguar passou a contar com quatro estreantes: Mineiro, Robinson Faria, Sargento Gonçalves e Paulinho Freire, sendo este substituído por Carla Dikson. A questão é que os quatro que foram reeleitos naquele ano (Natália, João Maia, General Girão e Benes Leocádio) seguiram a divisão política nacional e que acabou refletindo na composição final da bancada potiguar.
Para as eleições deste ano, apesar de apontarem para um acirramento nacional, existiria um esfriamento da polarização que se viu em 2022. Até porque houve mudança na composição partidária. Em 2022, por exemplo, o PL teve quatro deputados federais eleitos. Mas esse número caiu: permaneceram na legenda General Girão, Sargento Gonçalves e Carla Dickson. Saíram Robinson Faria (para o PP) e João Maia (para o PP).
Além dessa particularidade, nomes tidos como competitivos vão entrar na disputa e podem ameaçar, evidentemente, a reeleição de alguns deputados. A vereadora Nina Sousa (PL), que é a primeira-dama de Natal (esposa do prefeito Paulinho Freire), certamente surge como pesadelo para uns, bem como a também vereadora Tábata Pimenta (PV).
Em 2022 Natália Bonavides foi a campeã, com 157.565 votos e puxou, de certo modo, a reeleição de Fernando Mineiro. Sargento Gonçalves foi puxado pela boa votação dos demais candidatos do PL.
Evidente que surpresas podem ser concretizadas pelas urnas. O que se sabe é que até as convenções partidárias muita conversa irá acontecer. Desistências, inclusões de novos nomes ou até mesmo rupturas em parcerias tidas como consolidadas, tudo isso faz parte do que se espera no campo das possibilidades.
Em Natal já se tem um quadro prioritário de candidato governista à Câmara Federal. Não poderia ser diferente: a vereadora Nina Sousa deverá dispor de atenção redobrada do partido. Até porque, via de regra, o que está em jogo não é 2026, e sim as próximas eleições.
Em Mossoró o quadro não se definiu, mas especula-se que o ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) dividiu a bancada governista em quatro para apoiar nomes como Robinson Faria, Benes Leocádio, Kelps Lima e João Maia. Além de tentar eleger sua esposa, Cinthia Pinheiro, à Assembleia Legislativa.
Mossoró tem seis nomes à Câmara dos Deputados: vereadora Marleide Cunha (PT), professor Alexandre Lima (PT), Dr. Heider Irinaldo (PSDB), ex-reitora Ludimilla (PSDB), ex-vereador Zé Peixeiro (PSDB) e vereador Cabo Deyvison (PL). A segunda maior cidade do Rio Grande do Norte perdeu sua representatividade na Câmara Federal em 2018.
Em Parnamirim a prefeita Nilda Cruz (Solidariedade) já declarou que vai apoiar a candidatura do ex-deputado estadual Kelps Lima (União Brasil) à Câmara Federal. Com isso se teria a pré-formação de nomes que interessam diretamente às três maiores cidades do Rio Grande do Norte. Essa configuração estaria, também, provocando rusgas internas nos partidos e sendo o pivô de ciumeira em quem já ocupa vaga na Câmara Federal e quer, obviamente, se reeleger.
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