segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Comportamento dúbio põe em cheque o caráter de Allyson Bezerra

Em um espaço de menos de dois anos, o deputado estadual Allyson Bezerra (Solidariedade) deixa margens para questionamentos quanto ao que ele diz e o que ele faz. E o que é mais complicado: em qual Allyson acreditar? Em janeiro de 2019, por exemplo, ele afirmou, em entrevista publicada no Jornal de Fato, concedida ao jornalista César Santos, que não iria disputar a Prefeitura de Mossoró e que o seu partido teria, por exemplo, Lawrence Amorim como possibilidade, como alternativa.

Mas não foi bem assim que as coisas se concretizaram. Allyson, ao que se mostra a realidade, não manteve a palavra e busca o poder pelo poder, querendo passar sobre tudo e todos, destilando sua verborragia sem parar, como se fosse uma metralhadora fonográfica e visando, claro, atingir seu objetivo: chegar à Prefeitura de Mossoró.

Para se ter ideia do que foi dito em janeiro, segue a transcrição parcial da primeira resposta do deputado Allyson Bezerra: “O partido em Mossoró tem Lawrence Amorim, que ficou na primeira suplência de deputado federal nas eleições do ano passado. Ele poderá ser o nome do nosso partido para disputar a Prefeitura.” Na sequência dessa resposta, quando indagado sobre se ele tinha pretensões de disputar a Prefeitura de Mossoró, Allyson Bezerra defendia algo totalmente diferente do que praticou: “Agora, antes de nomes, eu defendo a união da oposição para chegar forte às eleições de 2020.”

De Janeiro de 2019 para cá muita coisa mudou. E Allyson também mudou. Principalmente de opinião, de projeto e, também, de ideia sobre a união envolvendo a oposição. Primeiro ele deixou de lado a afirmação de que o Solidariedade tinha Lawrence Amorim como possibilidade de uma candidatura majoritária. Talvez tenha pensado: se ele pode ser o candidato, por quais motivos iria apostar as ficha em outras pessoas? E isso indicaria um comportamento totalmente egoísta. E passou a se apresentar como nome à disputa pela Prefeitura de Mossoró.

Depois, com relação à história de defesa em torno da oposição em Mossoró, de um único nome a ser lançado com apoio de todos, o que se vê é que as palavras ditas em janeiro de 2019 foram apenas palavras e não passaram disso. Mas o que foi que Allyson Bezerra disse sobre isso na entrevista? Veja: “Não defendo que, necessariamente, o candidato saia dos quadros do Solidariedade. Sou a favor que a oposição tenha um nome que seja forte, qualificado e que tenha disposição para representar o projeto da oposição.”

Ele não só defendeu o próprio nome como também trabalhou, nos bastidores, para ser o pré-candidato a ser apoiado pela oposição. Até antes das convenções partidárias Mossoró observou que os nomes da oposição se sentavam em calçadas para conversarem com populares. Mas tudo era apenas para foto. De união não tinha nada. Até porque foi cada um para o seu lado e hoje se tem Allyson Bezerra, Isolda Dantas (PT) e Cláudia Regina (DEM) na disputa. Cada um defendendo seu “peixe” e de “olho gordo” na Prefeitura de Mossoró.

Hoje, analisando o Allyson que se fez presente no ano passado e se comparando com a figura politica que tenta se destacar na política mossoroense, a certeza que se pode chegar é uma só: ele não mede esforço para atingir seu objetivo e adotou a crítica pela crítica para tentar se sobressair e, assim, chamar atenção do eleitor. Utiliza o que a Sociologia chama de “forma de dominação” carismática, utilizando a retórica, o bom discurso, para externar ao eleitor que sabe, verdadeiramente, o que está dizendo.

O candidato do Solidariedade tenta se apoderar do discurso de que as novas tecnologias podem mudar a vida das pessoas. Mas não diz, por exemplo, como o pequeno produtor rural, o homem do campo, vai se adaptar a isso e nem explica como fará para melhorar, efetivamente, a vida de quem não sabe, sequer, o que é um smartphone. Mas, como já foi dito acima, ele faz uso da crítica pela crítica para passar a imagem de bom moço, de que tem preocupação com o coletivo. Nem que, para isso, tenha que passar por cima de tudo e de todos, desrespeitando mulheres e autoridades para, apenas satisfazer o seu desejo de chegar à Prefeitura de Mossoró.

Em entrevista concedida ao portal Agora RN, publicada em 20 de maio deste ano, o deputado destila todo o seu desconhecimento, propositadamente, para atingir em cheio o seu alvo: a prefeita Rosalba Ciarlini. Vejam o que ele disse sobre o trabalho realizado em plena pandemia da Covid-19 em Mossoró: “Os méritos da prefeita nessa época de pandemia são limpar o mercado público da cidade uma vez por semana, porque antes sequer eram limpos...” Isso em total desconhecimento da realidade. Mas ele quer transmitir uma verdade apregoando uma mentira. Os números de agora, com Mossoró em redução nos casos de contaminados pelo novo Coronavírus, por si, evidenciam a natureza da fragilidade das palavras do parlamentar.

E foi na Assembleia Legislativa que, até agora, surgiu uma análise sobre esse comportamento do candidato Allyson Bezerra. No portal www.saibamais.jor.br, notícia veiculada no dia 25 de abril do ano passado, o deputado estadual George Soares, mandou a direta ao parlamentar mossoroense em virtude de problemas de ordem ética que apareceram na discussão sobre o reajuste dos servidores. “A quem serve o regimento interno? À sociedade ou a interesse particular, com intenções eleitorais? Há comportamentos dúbios nesta Casa. Tem deputado que tem uma posição na comissão e outra posição no plenário. Tem gente falando nesse plenário em causa própria, chegando ao ponto de querer macular a imagem desta Casa se fazendo passar por bonzinho. E possa ser que não seja. Esse projeto tramitou em três comissões antes vir para cá (plenário). Essas indagações são inoportunas.”

Agora só resta fazer uma análise, cada um, de maneira bem particular e decidir em qual Allyson acreditar.

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