sábado, 12 de setembro de 2020

Na oposição é cada um no seu quadrado


Ainda há muito a acontecer no processo eleitoral que está apenas começando. É fato. Mas é possível vislumbrar algum cenário, a depender dos nomes que estão postos no tabuleiro político. O esfacelamento da oposição, ocorrido nas definições sobre quem seriam os candidatos ao Executivo, mostra perfeitamente o quadro de Mossoró: a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) inicia a campanha fortalecida com a aliança com o grupo do empresário Jorge do Rosário (PL) e enfrentará três candidatos que vão disputar, entre si, a atenção do eleitor pensando mais na projeção política pessoal pensando em aumentar seus capitais políticos para 2022. Isto é um fato.

Política não é coisa para quem pensa apenas em si. Precisa de decisão, pulso forte e, também, renúncia pessoal em torno de projetos, ideias . A oposição até ensaiou união em fotografias ou em declarações da boca para fora. Mas não passou de um ensaio. Encontros em calçadas foram realizados, fotos tiradas e postadas nas redes sociais. Afagos externados e, ao final, cada um seguiu para o seu lado. Interesses e projetos que colidiram frontalmente uns com os outros.

E, diante disso, fica a certeza de que o tão falado projeto coletivo, por parte da oposição, jamais existiu. Até que se tentou passar para o eleitor essa ideia. Mas, utilizando-se o olhar racional sobre tudo o que foi dito, a conclusão que se chega é que todos tentaram enganar todos. E cada um esteve mais preocupado com si próprio

Vamos aos fatos: a deputada estadual Isolda Dantas (PT), deputado estadual Allyson Bezerra (Solidariedade) e a ex-prefeita Cláudia Regina (Democratas), principais nomes da oposição, poderiam ter sequenciado o plano inicial, que era fortalecer o grupo para apresentar um nome realmente competitivo. Mas a chapa só tem lugar para duas pessoas. Um sobraria. Talvez, na sobra ou pensando sobre quem iria para a composição majoritária e presente na chapa, tenham surgido as divergências e o resultado todos já sabem: foi cada um pro seu quadrado. Do ponto de vista do projeto de poder pessoal, faz sentido.

É verdade que uma eleição é vitrine para outra. E pode ser que esse fator tenha sido preponderante para que a oposição se desconjuntasse.

E essa constatação é simples: a deputada Isolda Dantas sabe perfeitamente que precisa capitalizar seu eleitorado e fortalecê-lo. Não se diz aqui que ela seria um nome fraco. Mas o que se ouve (aqui, ali e acolá) é que ela estaria indo com “muita sede ao pote”. Foi eleita vereadora em 2016 e não concluiu o mandato. Em 2018 se elegeu deputada estadual e agora tenta chegar a Prefeitura Municipal. Qual a garantia que o cidadão terá de que ela, se eleita, concluiria o mandato? Nenhuma.

O deputado Allyson Bezerra, estreante na política, é ciente de que precisa demarcar algum território se quiser ter sobrevida (política) no futuro. E como uma eleição acaba sendo termômetro para outra, ele deve entender que se não for candidato agora o seu nome tende a ficar “esquecido” do eleitor para 2022. É fato.

Já a ex-prefeita Cláudia Regina, que foi cassada em 2013, passou quase oito anos longe dos holofotes da política, enquanto candidata. Ela sabe que agora é a vez de reconstruir o que se perdeu a partir da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso não fosse candidata, ficaria apenas à margem de quem fosse representar a oposição na disputa eleitoral deste ano.


Então, como se vê, os representantes da oposição, cada um com sua particularidade, têm interesses distintos nesta eleição. E, como foi dito acima, o pressuposto de um projeto coletivo caiu por terra quando os aspectos individuais se evidenciaram.

Fonte: www.mossoronoticias.com.br

Nenhum comentário: