quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A Veja é PIG ou não é?

De Partido da Imprensa Golpista (PIG) à revista séria. Assim passou a ser tratada a revista Veja. Tudo por causa de material veiculado recentemente e no qual deu espaço ao ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Rocha. Ele prestou depoimento a policiais federais sobre esquema de corrupção que teria acontecido na principal empresa pública brasileira. Ele fez o que se chama de "delação premiada". E bastou citar Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara Federal e candidato ao Governo do RN do PMDB para que, quem antes "via" a Veja como oportunista e deturpadora de fatos simplesmente passou a "admirar" e propagar a denúncia.

Estranhamente, a revista Veja teve acesso a informações sigilosas, a áudios criptografados e guardados em um computador que não teria conexão com a internet e guardado em cofre seguro. Estranhamente não se viu defesa de nenhum dos acusados por Paulo Roberto Rocha. Não diz o bom jornalismo que é preciso ouvir os dois lados? Não se diz que a Veja tem o costume de "vender" seus espaços para atender interesses políticos? Não se diz que, por ser PIG, a maior revista de circulação nacional seria venal, isso e aquilo?

Pois é... E estranhamente, de uma hora para outra, a tal PIG passou a ser referência do jornalismo brasileiro. Estranhamente os que antes criticavam a Veja agora louvam a delação premiada de Paulo Roberto Rocha. E tudo, pasmem, vem de militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio Grande do Norte. Sim, petistas acham que a revista PIG trouxe o maior benefício ao povo potiguar ao evidenciar suposto esquema que favoreceria Henrique Eduardo Alves.

E é aí que está a questão: trata-se de uma denúncia. E como tal, merece e deve ser investigada. Quando se falou em mensalão do PT, meio mundo do Brasil veio abaixo porque a imprensa PIG dizia que mensaleiros petistas desviaram meio mundo de Reais.

E, saliente-se, pela delação premiada feita por Paulo Roberto Rocha, a denúncia não atingiria somente Henrique. O próprio PT é o principal alvo. Querem bem dizer que um gestor que deixa alguém desviar verba pública não tem "culpa no cartório"? No mínimo tal gestor foi omisso. No mínimo.

E, já que a hora da vez é melar candidatos, os que recebem doações de empresas que caíram na malha fina da delação premiada de Paulo Roberto Rocha também devem ser investigados. E quem recebeu doações foi a deputada federal petista Fátima Bezerra, candidata ao Senado. Pelo que consta da prestação de contas dela no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa Engevix Engenharia, acusada de superfaturar obras e destinar verba a políticos (a popular propina) destinou R$ 50 mil à campanha de Fátima Bezerra.

E agora?

Se é para satanizar um, e se outros fazem parte da lista de beneficiários de empresas que são acusadas de atos ilícitos, que todos sejam acusados da mesma forma. Afinal, quem recebe algum tostão fruto de desvio, de certa maneira, estaria envolvido da mesma forma.

Mas voltando à lista de políticos citados por Paulo Roberto Rocha: são ministros, governadores, senadores e deputados. 30 ou 50 nomes. Todos envolvidos. A revista Veja não imparcial. Assim como nenhum meio de comunicação. Tem seus interesses econômicos e políticos. Assim como toda empresa de comunicação. Mas se deixou de ser PIG, nenhum outro jornal ou TV integra o famoso Partido da Imprensa Golpista.

O mais é esperar pela resposta dos que foram acusados. É esperar pelo fim das investigações. E torcer para que o PT deixe de pensar que é ético, porque de ética não entende nadica de nada.

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