sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Tudo continua como antes

O titular do blog, que divide seu tempo entre o jornalismo e a docência superior, coloca hoje à baila um tema discutido dias passados em sala de aula acerca do envolvimento que se pode fazer com a política que a gente conhece e o Amor Platônico.

Muitos podem até dizer que não daria para fazer alguma ligação envolvendo os dois temas, mas tudo é possível no campo da especulação e da dialética. Mais ainda quando assuntos se apresentam como satisfatórios na vida prática. Contudo, ressalte-se que não se consegue entender os motivos que levam pessoas a se candidatar anos a fio para determinado cargo eletivo e não obtêm resultados positivos nas urnas.

Platão defende a ideia de que o Amor Platônico se volta a algo que desejamos, mas que não temos como concretizá-lo. Assim sendo, a primeira ideia que surge é a de que se trata de algum amor proibido, tipo o de Romeu e Julieta, ou que versa acerca da paixão juvenil.
Mas não é bem assim que a coisa flui.

O Amor Platônico definido por Platão tem ligação direta com o Eros, com o desejo do homem. Nesse sentido, o filósofo alude que só desejamos o que não temos ou possuímos. Um exemplo é o de que desejamos alguém e, quando obtemos sucesso, tal pessoa – em tese – sairia do campo dos desejos, pois seria algo concretizado.

No campo político é a mesma coisa. Candidato ou candidata que passa anos e anos tentando chegar a determinado patamar de poder. Se não consegue chegar lá, continua tentando. É o desejo de ser eleito ou eleita para o cargo eletivo pretendido. E, ao chegar lá, o tão sonhado desejo se concretiza.

E é aí que está o problema: ao concretizar tal ambição, o homem está sujeito a se esquecer dos planos sonhados quando o cargo ainda era desejado. Nesse ponto, tudo o que foi dito e prometido passa a ser palavras do passado. E não é apenas uma marca de que tal pessoa estaria se deixando levar pelo poder.

É o sistema político que a leva a isso. A burocracia é tanta que não se permite que o que foi dito por anos a fio seja concretizado. E é aí que entra novamente o Amor Platônico: os eleitores que elegeram tal político ficam à espera da concretização de algo que eles não possuem dignamente, como saúde, educação, segurança, lazer, cultura, entretenimento, moradia…

De algum modo, a história do Eros sempre existirá de algum lado ou de alguma maneira. Veja o caso do Rio Grande do Norte: políticos não estão interessados em resolver problemas que afetam diretamente a população.

Toda e qualquer discussão posta atualmente versa sobre outro aspecto: o da política enquanto instrumento à garantia do poder pessoal. Fosse diferente, teríamos união de todos para que situações que se apresentam como calamitosas se resolvessem com maior brevidade.

O Eros, aqui, não se volta ao popular. É bem particular. Mas, para que este se efetive, vem um velho e manjado instrumento de marketing para tentar passar a imagem de que somente determinado candidato teria condições de sanar os males que afetam o Rio Grande do Norte.

Se esse “somente determinado” é o que vale, resta-nos crer que os tempos mudaram, o cenário mundial é outro, a realidade é totalmente diferente, mas o conceito de Platão continua em voga: nós, cidadãos, sempre vamos desejar que algo mude, mas no fundo, se mudar, tudo continua como antes.

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