segunda-feira, 19 de agosto de 2013

‘Desejo que essa aliança possa se repetir e venhamos a apoiar a reeleição de Rosalba’

O vice-presidente estadual do PV, vereador mossoroense Francisco Carlos, defende a manutenção da aliança envolvendo PMDB, PR e PV – e agora com a especulação voltada para aglutinar o PSDB – para respaldar o projeto de reeleição da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Francisco Carlos, contudo, frisou que essa é sua opinião pessoal e admite que embora o PV não faça parte da administração estadual, tudo pode mudar e afirmou que “cada eleição é uma eleição”. Nesta entrevista, ele respondeu sobre a possibilidade de filiação da ex-prefeita Fafá Rosado (DEM) à legenda verde e disse que a decisão é dela. Além destes temas, o vereador discorreu sobre educação e segurança – assuntos que foram tratados na Câmara Municipal de Mossoró e que resultaram em audiência pública para discutir orçamento 2014 para a área educacional e a assinatura de convênio envolvendo a Prefeitura de Mossoró e o Governo do Estado à área da segurança. Leia abaixo:

JORNAL DE FATO – O clima está meio quente na Câmara Municipal, envolvendo oposição e governo. Isso é salutar?
FRANCISCO CARLOS –O embate, o confronto de ideias, é salutar. O que preocupa é que muitas vezes tem saído dos limites daquilo que se espera de um parlamento. Às vezes, o embate fica tão acalorado que a gente fica preocupado com o desempenho dos trabalhos e com a boa convivência. Acredito que nós não vamos, se Deus quiser, ver nenhum outro fato de maior importância de natureza negativa no plenário da Câmara. Acredito nisso, nos colegas e no parlamento. E espero que nunca aconteça, mas a gente se preocupa.

DIA desses o senhor respondeu ao vereador Lairinho, que questionou o retrocesso administrativo de Mossoró...
A OPOSIÇÃO na Câmara Municipal, com o intuito de atacar a administração atual e o grupo político que tem administrado a Prefeitura de Mossoró há muitos anos, tem o hábito muito frequente de apontar deficiências e não reconhecer conquistas. No afã de apontar deficiências, tem dito, em algumas sessões, que a Prefeitura está quebrada. Eu tive que dizer aos colegas vereadores que a Prefeitura não está quebrada e nem esteve quebrada nos últimos 20 anos. A única vez que vi a Prefeitura quebrada foi em uma administração em que os colegas da oposição participavam, no início da década de 1990. Aí, sim, atrasou salários, coletaram lixo com carroça e outras coisas. Desde que o grupo político atual assumiu a Prefeitura, o Executivo está bem zelado. Exemplo disso são os financiamentos que a Prefeitura tem conseguido nos órgãos de fomento. Fafá Rosado fez dois financiamentos, fez com o PAC, com a Caixa Econômica e Cláudia agora está fazendo novamente com o PAC, na ordem de R$ 39 milhões, está adiantada conversa com o BNDES para a construção da Cidade Digital... A gente sabe que órgão financeiro não empresta dinheiro para órgão quebrado. Então não faz sentido o que estão dizendo.

AS CRÍTICAS, na maioria das vezes, são pessoais. Esse fator seria o motivo para esquentar o embate?
ISSO também acontece. Em determinados momentos, vimos acontecer. Eu mesmo, em determinados instantes, saí do tom e usei os mesmos termos. Já fiz isso, para a minha tristeza, em pelo menos duas ocasiões. Acho que não é bom para o parlamento, para o convívio e não é isso que o cidadão espera de embates. De ataques pessoais desnecessários. E a gente tem visto isso. Algumas vezes a gente tem dissimulado. Em outras, não. A gente reage à forma dura e agressiva de fazer o embate político.

A AUDIÊNCIA pública para discutir a educação municipal, inclusive com números ao orçamento de 2014, foi o esperado?
FOI positivo demais. Para o governo de Cláudia Regina, porque demonstrou disposição para o diálogo, mandou a secretária com números e toda a política educacional para discutir com a Câmara e tiramos vários encaminhamentos que serão incorporados ao orçamento público municipal da Educação para 2014. Esse exercício, certamente, será feito muitas outras vezes.

O OBJETIVO da audiência foi antecipar, também, a discussão relacionada ao orçamento?
FOI exatamente esse. O orçamento será enviado em setembro e quando chegar na Câmara será para uma discussão avançada, em torno de emendas. Nosso interesse foi de antecipar essa discussão e a secretaria pudesse encaminhar a proposta já como fruto de um debate anterior. Essa discussão será feita para a Educação e no dia 28 ocorrerá outra para a Saúde.

COM essa discussão, como fica a Lei de Responsabilidade Educacional?
A LEI vai agora, em termos de valores de investimentos, alcançar o seu valor máximo de investimento, que é de 30%. É um esforço grande da parte da administração municipal e a gente precisa reconhecer o esforço que a administração de Cláudia Regina vai fazer no próximo ano para cumprir a Lei, com 30% de investimentos na Educação. Pouquíssimos municípios do Brasil fazem um investimento desta natureza. De maneira que a gente deve reconhecer e aplaudir o esforço. É uma demonstração clara e inequívoca de que a Educação é prioridade. A gente fica satisfeito porque a Lei de Responsabilidade Educacional foi idealizada por mim, quando secretário da Cidadania. É uma das coisas que me dá mais orgulho do período em que permaneci na secretaria.

O SENHOR também propôs parceria envolvendo a Prefeitura de Mossoró e o Governo do Estado na área da segurança...
A GENTE tem percebido, nos últimos anos, que a segurança compõe a pauta número um da lista de preocupação dos mossoroenses. Durante muito tempo foi o emprego, saúde e hoje é segurança. E não é só em Mossoró. É uma conjuntura nacional. E Mossoró sofre com isso. A diferença é que aqui estará dando uma resposta clara e inequívoca, por parte da Prefeitura, formalizando uma parceria com a Secretaria de Segurança do Estado. E devemos louvar a participação do Estado, com o nome da governadora Rosalba Ciarlini, para que os dois poderes possam aumentar o efetivo policial nas ruas de Mossoró. Cláudia Regina vai abrir novamente os postos policiais, mas não na condição de postos e sim na condição de Base Integrada de Cidadania (BIC) para servir de base para uma série de operações que serão feitas, de caráter preventivo e ostensivo, ligando segurança com ações sociais. Fico feliz porque essa ideia foi trabalhada por nós logo nas primeiras sessões. O convênio foi assinado na quinta-feira, mas será lançado no dia 30 e servirá de modelo para muitos municípios do Rio Grande do Norte.

O PV está disposto a passar o comando da legenda para a ex-prefeita Fafá Rosado. Como estão as conversas?
A GENTE tem acompanhado algumas conversas e movimentos da prefeita Fafá Rosado e do deputado Leonardo Nogueira. A gente tem visto que eles não tomaram decisão. Sabemos que ela vai tomar a decisão que a agremiação para a qual ela vá possibilite envolver a ideia de trabalho que o partido tem e a disposição de trabalho que ela tem para a cidade de Mossoró. Ela vai para a agremiação que possa potencializar essa discussão. Tem o PMDB, PR e gostaria muito, torço e tenho defendido que seja o PV. Mas a decisão é dela e das pessoas mais próximas a ela.

QUAL a meta do PV?
O PARTIDO Verde quer manter a vaga na Câmara Federal, com o deputado Paulo Wagner. O partido pretende manter e ampliar o espaço na Assembleia Legislativa, onde temos o deputado Gilson Moura. Achamos que o partido tem potencial para ocupar um número maior de vagas, de duas a três.

EXISTE uma conversa envolvendo PMDB, PR, PV e PSDB para formação de aliança para 2014. O senhor acredita nessa possibilidade?
PMDB, PR e PV já estiveram juntos na eleição passada e é muito razoável imaginar que estarão juntos na disputa de 2014. Acho que já existe afinidade política e relações pessoais construídas, de maneira que a repetição desse formato é bastante razoável. Agora eles estiveram juntos em um projeto proporcional. Não estiveram juntos, com esse formato, para a majoritária. Espero, acredito e desejo que essa aliança possa se repetir e venhamos a apoiar a reeleição da governadora Rosalba Ciarlini. É a minha opinião. O meu desejo. A discussão dos partidos e das executivas estaduais é o que vai definir o rumo de cada uma das agremiações.

E TEM o fator PSDB...
É POSSÍVEL atrair o PSDB. É um partido que está no governo Rosalba Ciarlini. Já esteve junto ao PMDB e de outros partidos em outras lutas, de maneira que é bastante provável que aconteça. O leque de aliança deve acontecer e espero que a união de forças esteja junta para apoiar o projeto de reeleição de Rosalba.

HOJE, apenas o PV está fora do governo Rosalba. Se a aliança se concretizar, indica que o PV ficará com o PMDB, PR e o PSDB. Tudo indica, agora, para união com o DEM...

EXATO. O PV não chegou a romper com o DEM por um motivo simples: não participava do governo. Se não participava, não tem rompimento. E foi pelo fato de não participar que a decisão foi oficializada: somos oposição. Ocorre que cada eleição é um fato e tem uma história. O PV em relação e afinidade com o PMDB e PR. E se for para marchar juntos, não há dificuldades em apoiarmos Rosalba se a decisão do conjunto dos partidos for essa.

Fonte: Jornal de Fato

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