segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Leitor interage e questiona o blog

O leitor identificado como Rui Nascimento enviou um comentário interessante. Embora o blog já tenha postado as palavras do leitor (leia no post ‘Apenas dois lados defendendo o que acham correto’), o conteúdo abordado por Nascimento merece desdobramentos.

Primeiro pelo fato do que ele indaga o blog sobre o entendimento acerca do cerceamento da liberdade de expressão. A resposta não pode ser outra: em nenhum momento este blog viu, entendeu e deliberou que a PMM estava querendo cercear o jornalista Carlos Santos, objeto da postagem do leitor.

O que se analisa, a priori, não é o ato, e sim o fato em si. É preciso olhar o processo para compreender e fazer a distinção disso. Assim sendo, a ação que culminou com a posterior condenação do jornalista não foi o fato da crítica pela crítica.

Pergunta o leitor: “Quando a justiça manda prender um jornalista por ter feito críticas a um administrador público, você não entende que isto seja cerceamento à liberdade de expressão? Se tivesse solicitado a retirada do blog do ar, ela só confirmaria sua tentativa de cercear a voz do contraditório, mesmo assim acho que não falta quem tenha vontade de fazê-lo.”

A resposta a essa questão já foi dada. Não foi pelas críticas, e sim pelo fato de se ter comparação envolvendo a prefeita Fafá Rosado com Ana Bolena, personagem emblemática da Inglaterra nos idos de 1500 (mais para a metade daquele século), morta por práticas que não cabem enumerar neste espaço (sugiro uma leitura sobre essa mulher, seja na Internet ou em livros da história).

Além disso, tem-se outro fator: o de sugerir fuzilamento em praça pública de um ente público. Bem como sugestões relacionadas ao uso contínuo e desenfreado de remédio controlado.

O leitor segue com seus questionamentos: “Outro detalhe: até onde eu ouço falar, as demandas contra Carlos Santos são das pessoas de Fátima Rosado, seu irmão Gustavo Rosado, de Francisco Carlos e de Leonardo Nogueira e não da prefeitura, através de sua comandante Fátima Rosado, seus secretários e do deputado, daí subentende-se que foge da alçada da Gerência de Comunicação do órgão público prefeitura, sair em defesa destes, ou então daqui a pouco a Assembléia Legislativa também deverá soltar nota defendendo o deputado, quando este tiver suas ações contra o jornalista julgadas, sentenciadas e, certamente, criticadas pela imprensa.”

Certamente que o leitor deve saber que, acompanhando essa discussão toda, os escritos do jornalista são direcionados à prefeita, ao Chefe de Gabinete, ao secretário e ao deputado. Uma assessoria de imprensa não existe apenas para divulgar ações governamentais, e sim para orientar em quase tudo, até no uso de determinadas roupas, bem como facilitar o trabalho da imprensa e, no caso em questão, apresentar contraposição de algo que é visto como equivocado. No popular “sair em defesa”.

“Por que, em vez da Gerência de Comunicação, não foi a própria Fátima Rosado, através de seus advogados, que emitiu nota à imprensa se defendendo?”, pergunta o leitor. Essa questão já foi respondida.

“Punir excessos é correto sim, mas quando um jornalista é punido com cadeia por emitir opiniões, isso pode ser tudo, menos democracia. Fico a imaginar se Lula tivesse acionado a justiça contra todos os que lhe achincalharam. Certamente faltariam presídios para tantos jornalistas!”

Realmente o leitor, nesse aspecto, tem um pouco de razão. O erro está somente quando diz que o destino à cadeia é por apenas emitir opiniões. Opinião é inerente à democracia, mas quando se tem excessos e a opinião parte para o achincalhe, aí a coisa muda de figura. Creio que qualquer advogado possa responder essa questão melhor.

“Agora questiono: esta sua opinião é como jornalista?”, finaliza o leitor. E é aí que Rui Nascimento quer, no popular, aplicar “gravata” no blog. Não, caro leitor, essa não é a minha opinião. Ao longo destas linhas ela (a opinião) já foi explicitada. Concordo que houve excessos das duas partes, assim como continuo dizendo que os dois lados estão apenas defendendo o que acham ser correto.

É igual àquela coisa da verdade: todo mundo tem a sua. A verdade é subjetiva.

Escreva sempre, Rui.



2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bem Edilson Damasceno resposta dada,Quem é mesmo Rui Nascimento? um leitor?ou advogado de defesa do Carlos Santos?Ana Antônia Alves Maia.

Rui Nascimento disse...

Obrigado Edilson, pela referência ao meu comentário. A democracia nos permite o contraditório e isso faz bem à sociedade. Só tenho a considerar o seguinte: jamais tive intenção de, como você expressou, dar “gravata” no Blog, pois vejo que você, diferentemente de outros, é mais coerente nos seus comentários e pontos de vista, apenas questionei pela curiosidade de saber se era a opinião de um jornalista isento ou de um cidadão comum que vê a situação por determinado ângulo.
Quanto ao comentário da Srª Ana Antonia Alves Maia, gostaria de salientar, que mesmo não tendo obrigação de lhe dar satisfação sobre quem sou ou sobre o que faço, digo que sou apenas um simples leitor, que acompanha o dia-adia de nossa cidade e, como tal, gosto de participar dos assuntos inerentes à nossa sociedade e tenho minhas próprias opiniões a respeito disso, saliento ainda que são apenas opiniões e não verdades absolutas e que, por isso mesmo, são passíveis de questionamentos e discordâncias, pois, ratificando o que dissera no começo, a democracia nos permite tal condição.

Um abraço!