sexta-feira, 5 de março de 2021

Bolsonaro age como o que mesmo?

Enquanto que o Brasil sangra e familiares das vitimas da Covid-19 choram, o presidente Jair Bolsonaro continua com sua saga de afirmar que a morte é natural. Sim, realmente é. Mas a naturalidade da morte não pode ter outro sentido, que seria a banalidade. Jair Bolsonaro deixa claro que um brasileiro a mais ou a menos não fará diferença alguma. Independente da idade, cor, raça ou gênero. O que importa para ele é ir na contramão da história e parecer, aos olhos de quem acompanham suas peripécias verbais, que a cada palavra dita, esta tem apenas o sentido de encobrir o que o Brasil já está de olho: alguns desatinos de ordem ética e moral que extrapola os limites da casa presidencial.

A morte se transformou em "mi, mi, mi". A dor e o sofrimento de milhares de famílias  são, aos olhos do presidente do Brasil, algo sem expressão e que não comove a sociedade. O Brasil se transforma em um grande cemitério e o seu presidente não está nem aí para o que acontece com o povo. Afinal, todo mundo vai morrer...

Enquanto o titular deste espaço escreve, certamente uma pessoa está agonizando pelo País. Uns ainda têm a sorte de encontrar suporte médico. Outros nem isso conseguem e morrem praticamente à míngua.

O Estado brasileiro não tem cumprido o seu papel. O presidente rasga a Constituição como quem está pegando um papel higiênico. Em outras palavras, o que está escrito no Artigo 6 da Carta Magna brasileira não tem nenhuma serventia. Afinal, vidas foram feitas para serem ceifadas. O homem nasce para morrer. E, com isso, o simples (complexo) ato de viver não faz sentido algum. Porque se o cidadão não tem direito à saúde, se o Estado não lhe garante nenhuma possibilidade de vida, qual a importância de tudo?

O negar a vida nunca esteve em evidência. E o pior é que existem pessoas que seguem essa cartilha ideológica e não se dão conta de que a mesma Covid-19 que mata na periferia é o mesmo vírus que ameaça o mundo inteiro. Mas o presidente deixa claro que só quem tem que ficar à mercê da mortalidade viral é o trabalhador e incentiva a todos irem às ruas. Talvez por isso que o Brasil esteja em um patamar desesperador. Em vez de pensar em política pública eficiente para conter o problema, Bolsonaro faz o contrário.

O pior é que o Congresso Nacional fica inerte. Meio que aplaude as "translouquices" do presidente. A Câmara Federal e o Senado, de algum modo, se mostram coniventes com as barbáries que estão sendo proferidas e, o que é pior, seguidas por grande parcela da população brasileira.

Diante disso, talvez tivesse sido melhor, para o Brasil, que o ano de 2018 não tivesse, sequer, existido na sua história. 

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