segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Ganha quem tem mais votos?

 Quando você quer vender um produto tem que trabalhar com uma boa propaganda, um bom marketing. Mas não quer dizer que um bom marketing trabalhe com ética, com a verdade. O Brasil inteiro, de norte a sul, apresentou peças publicitárias bem projetadas, bem elaboradas e que, ao final das eleições, conseguiram o resultado esperado. E volte-se a dizer: isso não significa que o melhor venceu. O vitorioso foi aquele que obteve mais votos, é óbvio. O que se medirá, a partir de janeiro, é a capacidade administrativa que o eleito ou a eleita terá. E é bom frisar que existem dois parâmetros para se conferir um bom gestor: o que pega a casa arrumada e o que pega muito por fazer.

Assim sendo, o prefeito eleito Allyson Bezerra (Solidariedade), deputado estadual na metade do primeiro mandato, terá que fazer jus à vitória obtida nas urnas. Não que ele não mereça ter sido o eleito. E sim pela trajetória politica, pouca, é verdade, de prometer e mão cumprir. A diferença é que Allyson vai pegar a casa organizada, sem muito a ser feito. Lógico que vai encontrar problemas. Pensar em uma administração, seja ela qual for e visualizar que seria perfeita, isso não existe. Mas não será, por exemplo, do jeito que Rosalba Ciarlini herdou da gestão que o próprio Allyson Bezerra apoiou em 2016. Embora tenha negado, com veemência, que teve ligações políticas com o “silveirismo”.

Por sinal, negar apoios e o próprio passado foi a marca da campanha do prefeito eleito de Mossoró. E ele apenas seguiu uma estratégia do seu marketing. O blog, cá com seus botões, reflete: uma mentira, por mais que seja por uma “boa causa” vai ser sempre uma mentira. No caso de Allyson Bezerra, ele já vai começar a administrar a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte meio que desacreditado por boa parte dos cidadãos. E terá que se desdobrar para trabalhar a ideia de que, prefeito empossado, estará dizendo a verdade. Já é um começo complicado. Isso na esfera da moral. No campo administrativo espera-se que ele não tenha problemas, já que passou a ideia de que somente ele poderia sanar supostos problemas.


E negou, também, que tenha recebido o apoio do ex-governador Robinson Faria (PSD). Embora esse apoio estivesse mais que evidente na própria chapa, com a presença do empresário Fernandinho das Padarias (PSD). Uma indicação clara evidente de Robinson Faria. O apoio foi tão certo que logo após o anúncio feito pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da vitória de Allyson em Mossoró, o ex-governador o parabenizou pelo feito. Certamente espera retorno em 2022, quando Robinson deverá disputar mandato de deputado estadual. A “lei” é clara, nesse sentido, e fazendo analogia a um ditado popular: “aqui se faz, aqui se paga.” Implica dizer que a fatura virá mais adiante. É aguardar.

Allyson Bezerra também fez “ouvido de mercador” para a situação provocada pelo seu candidato a vice-prefeito, que apareceu em lista do Tribunal de Contas da União (TCU) como beneficiário de cinco parcelas do Auxílio Emergencial. Mesmo sendo empresário epossuidor de patrimônio informado à Justiça Eleitoral em R$ 400 mil. Fernandinho até tentou explicar que tinha sido alvo de fraudadores. Não convenceu. Disse que tinha devolvido o dinheiro, R$ 3 mil, em 16 de setembro. Mas o pagamento foi efetivado somente em 10 de novembro. Bem depois. E, com isso, expôs grave problema de ordem ética e moral, da qual Allyson correu léguas e não disse uma palavra. Agora, prefeito eleito, espera-se que ele, quando assumir, seja transparente. Afinal, ele vai cuidar de um patrimônio que pertence a mais de 300 mil pessoas.

Também é bom frisar que Allyson Bezerra foi beneficiado pela onda de críticas exageradas feitas por setores da imprensa virtual de Mossoró contra a administração Rosalba Ciarlini. Blogs e portais com claros interesses financeiros e políticos, além de outros segmentos da comunicação. A prefeita Rosalba Ciarlini foi severamente criticada. E na maioria dos comentários, percebia-se outra leitura. E quando se pesquisava-se ligação de portais e blogs com políticos, seja institucionalmente, direta ou indiretamente, ali estava a suposta resposta para tudo. Não que não se possa fazer isso. Mas ficou tudo muito evidente.

E veio a campanha: Rosalba foi a preferida do ataque de três candidatos. Ela sabia que poderia ganhar ou perder. Até porque faz parte do processo eleitoral. E ganha, realmente, quem tem mais votos. E isso não quer dize que tenha sido voto consciente. A indução foi um dos elementos chaves para a vitória de Allyson Bezerra. Pesquisas atrás de pesquisas foram lançadas em Mossoró. É óbvio que o eleitor menos atento vai se deixar induzir por números. E, como já foi dito neste espaço: a matemática é uma exata, uma ciência exata, algo totalmente diferente dos números. Números podem não refletir alguma verdade. Mas podem auxiliar à sua aproximação. E terá sido esse exemplo que se viu em Mossoró.

Rosalba não sai derrotada. Pelo contrário: fez o que poderia fazer. Se o cidadão não compreendeu o que foi feito, em termos de recuperação administrativa, aí é outra história. Rosalba vai deixar a Prefeitura de Mossoró com recursos para obras. Assim como fez no Governo do Estado. E certamente deve deixar o cargo com a consciência tranquila de que deu o seu melhor para Mossoró. Esta é a opinião do blog.

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