terça-feira, 27 de outubro de 2020

Pesquisas podem não apresentar momento real da política

Se você perguntar a qualquer matemático sobre a certeza da Matemática enquanto ciência terá como  resposta que se trata de algo exato, certo. Sem espaço para contestação. Já com relação aos números... O que se quer dizer aqui é que uma realidade pode ser falseada numericamente e apresentar uma verdade que não seria exata. Aliás, sequer verdade existirá. Então, como confiar em números que são apresentados e que, ao se analisar amiúde, detalhadamente, apresentam dados que são conflitantes ou que não aparecem em sondagens? Será que representariam algo exato, correto? A resposta virá ao longo do texto.

É sabido que os tipos de conhecimento variam, mas os mais usuais são o indutivo e o dedutivo. São fáceis de explicação. O primeiro se volta para a induzir alguém a alguma verdade. O segundo, a dedução é feita por quem busca a verdade. No primeiro caso, as pesquisas eleitorais que são publicadas em Mossoró, e em outros municípios do Rio Grande do Norte, levariam ao eleitor à constatação de uma falsa realidade e o levariam a votar em quem teria possibilidade de ganhar ou de mudar uma realidade. Busca-se o famoso voto útil. Sim, porque muitas pessoas ainda se deixam levar pela teoria de que não se pode “perder” o voto. Mas na história do voto útil, as pessoas estão sendo enganadas por pesquisas que não representariam a realidade.

É o que se constata a partir de notícias que ganharam corpo na campanha eleitoral em vários municípios do Rio Grande do Norte. Em Mossoró, uma emissora de rádio dá notoriedade política, por meio de números de pesquisas, ao candidato Allyson Bezerra (Solidariedade). O instituto que projeta o que eles chamam de “verdade” vem sendo acusado justamente de falsear o que seria verdadeiro e tentar se apropriar da Matemática para expor uma realidade que não poderia ser contestada.

A idoneidade numérica e moral do instituto Agora Sei vem sendo contestada há algum tempo. Em 2012, por exemplo, houve denúncia de irregularidades que, inicialmente, se cogitou investigação da Polícia Federal. Mas somente este ano surgem dúvidas sobre a seriedade, honestidade e credibilidade desse instituto em São Paulo do Potengi, Parnamirim, Mossoró e Lagoa Nova.

Em São Paulo do Potengi a Justiça Eleitoral determinou que o instituto apresentasse os dados de pesquisa que foi divulgada dia 4 deste mês, um domingo. É que suspeitou-se de vícios na metodologia e nos números apresentados. Em outras palavras: não se tinha certeza de que a realidade exposta era verdadeira, pois os números poderiam ter sido direcionados para beneficiar um ou outro candidato em detrimento dos demais. E esse aspecto contraria o processo democrático em si. A decisão pode ser conferida na Representação (11541), de número 0600329-74.2020.6.20.0008/008ª zona eleitoral de São Paulo do Potengi.

Em Parnamirim, de acordo com informações do Blog do BG, o instituto Agora Sei registrou pesquisa no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em 23 de setembro que passou e que deveria ter sido divulgada. Mas os números simplesmente sumiram. E o blog questiona justamente o que levaria um instituto registrar uma pesquisa e não divulgar.

Em Mossoró houve problemas envolvendo ausência de informações básicas envolvendo pesquisa do mesmo instituto. A coligação que defende a candidatura de Isolda Dantas (PT) à Prefeitura de Mossoró questionou a lisura da pesquisa na Justiça, mas o seu pedido foi negado. Os números expostos evidenciaram que o candidato Allyson Bezerra estaria em segundo lugar de aceitação junto aos eleitores. Ele é neófito em política e é justamente este fator que estaria corroborando a ideia de que a realidade numérica estaria sendo desvirtuada justamente para beneficiá-lo. 


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