quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

‘Quero utilizar toda minha experiência para lutar pela captação dos recursos financeiros’


Ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido em dois mandatos, o professor Josivan Barbosa de Menezes se coloca como pré-candidato à Reitoria e quer fazer jus ao fato de ter colocado a Instituição em patamar de destaque nacional. Foi na gestão dele que a então Escola Superior de Agronomia (ESAM) ganhou status de Universidade. Nesta entrevista o ex-reitor fala sobre suas pretensões na Academia e se coloca como nome da oposição. Leia abaixo:

O que o levou a anunciar projeto de retornar à Reitoria da Ufersa?
Na condição de diretor da ESAM e, consecutivamente, primeiro reitor da UFERSA, tive a felicidade de coordenar o maior projeto do Governo Federal para o nosso estado dos últimos 50 anos. Na minha gestão pactuamos com o MEC condições para criar vagas de docente e técnicos, conquistamos recursos de custeio e de capital para passar de 02 para 40 modalidades de cursos de graduação, criamos 02 programas de doutorado e conseguirmos expandir a atuação da UFERSA nas cidades de Angicos, Caraúbas e Pau dos Ferros. Entretanto, 15 anos após a sua implantação, constato que um dos maiores problemas da UFERSA é a redução na captação de recursos de investimento. Para se ter uma ideia, nossa universidade teve uma redução monetária tão acentuada, que sua receita atual representa cerca de 10% do que foi há oito anos, durante a minha gestão.
Sem recursos de investimento não podemos ampliar laboratórios e nem equipar os que foram construídos. Também não podemos gerar infraestrutura para os cursos que ainda estão em fase de instalação ou renovar os equipamentos dos laboratórios de graduação e de pesquisa. Essa foi uma das motivações que tive para me lançar como pré-candidato a reitor da UFERSA. Quero utilizar toda minha experiência para lutar pela captação dos recursos financeiros necessários para a melhoria de nossa infraestrutura e ampliação do quadro de docentes e técnicos nos campi Sede Central, Angicos, Caraúbas e Pau dos Ferros.

O seu projeto é pela oposição?
Sim. A UFERSA vive um momento de polarização, conflitos e lentidão na prospecção de recursos financeiros. Vou contra esse cenário. Meu desejo como reitor é o de restabelecer o capital da UFERSA e articular com a comunidade acadêmica a modernização do nosso modelo de governança, baseado na institucionalização de práticas e procedimentos constantes, os quais possam reportar transparência, controle e confiança para todos. Para mais, meu maior desejo é o de oferecer a todos os professores, técnicos, estudantes e cidadãos potiguares uma gestão transparente, acolhedora e democrática.

Recentemente um pró-reitor se lançou candidato com viés oposicionista...
Respeito a decisão do pré-candidato. Contudo, acredito que o cenário político nacional não pode ser o principal indicativo utilizado por um docente que se coloque como candidato. É necessário que esse candidato exalte sua experiência em administração pública, seu espírito democrático no diálogo com a comunidade acadêmica e, principalmente, suas propostas de gestão, as quais possam contribuir com a nossa UFERSA.

Diante do seu trabalho já Ufersa, isso o diferencia dos demais nomes?
A universidade é uma instituição muito nova e, por consequência, tem um quadro de servidores e docentes também muito novo. Mas, como tenho um histórico de luta pela UFERSA e de serviço prestado ao Estado do RN, tenho a expectativa de que a comunidade acadêmica considere a minha experiência na hora da escolha do seu candidato. Durante a minha gestão na UFERSA produzimos um total de 80 realizações. Dentro delas algumas conquistas para demonstrar os resultados da minha atuação como o primeiro reitor da UFERSA: Transformação da ESAM em UFERSA; Pacto com o MEC para criação do campus Angicos; Criação do campus Caraúbas; Criação do campus Pau dos Ferros; Pacto com o MEC de 48 milhões de reais anuais investidos na UFERSA; Pacto com a Bancada para Emenda Coletiva anual de 10 milhões de reais investidos na UFERSA; Pacto com o MEC e luta no levantamento recursos de custeio e de capital para aumentar de 02 para mais de 40 modalidades de curso de graduação na UFERSA; Criação, institucional, do curso de Medicina; Criação do curso de direito; Criação de 03 programas de doutorado.

Como o senhor pensa a condução desse projeto?
Quero conduzir o meu projeto de governança junto com a comunidade acadêmica. Para tornar a UFERSA um ambiente de bem estar para os professores, técnicos e estudantes, de incentivo ao ensino, aumento da pesquisa e expansão das ações de extensão em benefício da população, assim como de ampliação de recursos humanos e de infraestrutura, será necessário articular com a comunidade acadêmica a modernização do modelo atual de governança, o qual deverá ser baseado na institucionalização de práticas e procedimentos constantes, os quais possam reportar transparência, controle e confiança para o público.

O que precisa ser melhorado na Ufersa?
Pretendo dialogar com a comunidade acadêmica para acolher todas reivindicações e, assim, lutar por melhorias na UFERSA. Para dar uma resposta assertiva, considero que alguns dos maiores problemas da UFERSA a serem melhorados são: o restabelecimento da sua capacidade de captação de recursos de investimento (capital) e de negociação com MEC na ampliação do quadro de servidores dos campi Sede Central, Angicos, Caraúbas e Pau dos Ferros; aumentar a possibilidade de oportunidades para seus egressos; por fim, desenvolver ações efetivas para diminuir a evasão voluntária e involuntária dos discentes.

Como assim senhor analisa o tripé Ensino, Pesquisa e Extensão atualmente?
A universidade precisa formar docentes qualificados nas licenciaturas, engenheiros competitivos para o setor produtivo regional e profissionais qualificados nas demais áreas para atender o mercado, mas, também precisa está preocupada com a sua capacidade de inovar através de pesquisas que sejam úteis para a sociedade. Esses pontos estando em sintonia, com certeza esse tripé estará. Claro que a universidade precisa apoiar com recursos os projetos de pesquisa nas áreas básicas e nas áreas de humanas que normalmente têm pouco possibilidade de concorrer nos editais, lutaremos por isso.

O reitor atual estaria jogando alto e sair praticamente com dois candidatos distintos?
Na qualidade de ex-dirigente e na condição de ter tido o atual reitor como meu assessor em três mandatos, prefiro aproveitar esse tempo da entrevista para despertar na comunidade acadêmica a responsabilidade que ela tem com essa escolha. Sendo assim, não podemos correr o risco de não restabelecer a prospecção de recursos para UFERSA, conforme o cenário atual. Conto com o apoio de todos os professores, técnicos e estudantes para voltar à reitoria e lutar por uma UFERSA melhor.

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