quarta-feira, 31 de julho de 2019

A figura do menino e os olhos em 2022


O ano era 2014. Mossoró fervilhava de boas e más intenções. A prefeita à época, Cláudia Regina, havia sido cassada pela Legislação eleitoral em virtude de irregularidades detectadas no decorrer da campanha eleitoral de 2012. Dois anos depois da eleição que culminou com a vitória de Cláudia, Mossoró passou por um novo pleito, decidido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e mantido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Eis que naquela eleição surgiu o “Sassá Mutema” de Mossoró. O então presidente da Câmara Municipal e que estava no exercício da função de prefeito, Francisco José da Silveira Júnior, se apresentou como “novo”. E venceu. Derrotou seus adversários. A fama de bom gestor interino foi o seu carro-chefe.

Mas o que se viu na interinidade não se concretizou na oficialidade do cargo. O “menino”, como se apresentou Silveira, era, na verdade, “macaco velho” na arte de gerir a coisa pública pessimamente. Serviços básicos chegaram a ser totalmente destroçados como o fornecimento de merenda escolar que se tornou comum estar em falta.

E a arte de administrar mal se comprovou três anos depois da sua administração. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) reprovou a prestação de contas da gestão de Silveira e encaminhou o relatório para o Ministério Público investigar possíveis crimes de improbidade administrativa e ilicitude penal.

O “menino”, que queria trabalhar por Mossoró fez o contrário: atrasou salário de servidores, não cumpriu acordos administrativos... Enfim, atrasou o desenvolvimento da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte.

Agora o ano é 2019. Cinco anos depois do surgimento do “menino”. E eis que outro político aparece e diz ser o “novo” na política. Seu nome? Alysson Bezerra. É deputado estadual e sonha em ser prefeito. Não tem nem 26 anos e já quer ser o novo “Sassá Mutema”. Será que Mossoró suportaria mais uma gestão comandada por mais um “menino”?

Lembrando que Alisson fez parte do corpo de apoiadores da reeleição de Silveira, com direito a discursos emocionados evocando a religião e a desculpa para os salários atrasados mensais. Não é melhor o deputado aprender a administrar antes de tentar fazê-lo?


Alisson e Isolda: quem levará a melhor?


Mais curioso do que a autodenominação de Alisson como um experiente e preparado gestor, mesmo com uma série de gafes no início do seu mandato, é o pedido público de um blogueiro para que o antigo secretariado de Silveira se forme novamente como um “gabinete-sombra” para criticar a atual gestão que recuperou os cacos encontrados.

A ideia é juntar os dois secretários de planejamento de Silveira para falar de planejamento, a ex-secretária de cultura Isolda e demais apoiadores como Alisson e aliados na campanha passada para formar uma espécie de secretariado de oposição para críticas.

E aí um programa de rádio que foi formado pelo antigo gestor seria o porta-voz das críticas desse secretariado já formado com o objetivo final dessa equipe se aproximar para um apoio a Isolda do PT que, no raciocínio dos criadores dessa ideia, é quem vai ter os recursos do governo estadual jorrando numa campanha eleitoral.

Dessa forma o menino Alisson seria demovido da ideia de candidatar-se e Tião e Jorge se tornariam mero coadjuvantes apoiadores de Isolda.

Em caso de insucesso eleitoral em 2020, Isolda sairia no lucro, pois para a eleição de deputado estadual futura, teria silenciado Alysson como um mero apoiador e o grupo de Tião e Jorge também. Tendo Isolda ganho popularidade com um futuro recall de sua candidatura à prefeita.

E assim seguem os planos da oposição: o discurso de união e de tentar demonizar a atual gestão tem um objetivo oculto: pavimentar uma reeleição tranquila para deputado estadual enfraquecendo e eclipsando os grupos de oposição que não tenham candidato a prefeito e aceitem serem meros apoiadores.

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