sábado, 3 de fevereiro de 2018

Finais de semana nostálgicos

Finais de semana sempre são nostálgicos. Remete-nos a um tempo que não volta mais. Mas que é possível vivê-lo. Afinal, passado, para alguns, merece ser revivido. Fosse diferente, não teríamos, sempre, a velha e boa discussão entre esquerda e direita. O tempo passou, as pessoas são outras, mas o debate acaba se voltando à mesma coisa: ricos e pobres, brancos e negros, homens e mulheres. Mas por quais motivos o ser humano gosta disso? De sofrer contínua e sistematicamente?

Diria que faz parte da essência humana. Como todos sabem, sou professor. Tento ensinar Filosofia e Sociologia no Ensino Médio e provoco discussões filosóficas, antropológicas e sociológicas no Ensino Superior. Entra turma, sai turma, e todos buscam o mesmo: conhecimento. Daí o tempo vai passando e nós, professores, percebemos que esse mesmo tempo tem sido generoso, pois nos proporciona mais conhecimento.

E é com essa perspectiva que reafirmo o que disse acima: os finais de semana sempre são nostálgicos, pois acabam fortalecendo algo que a idade apresenta, mas que não são tão legais quando se olha para o corpo. Remete a algo que a dupla os Nonato diz em uma de suas letras: "...quem não tem caráter muda a consciência/é essencial manter a essência...".

Afinal, qual seria a essência do homem? Todos sabemos que seguimos o rito heraclitiano: tudo se transforma, mas essencialmente permanece a mesma coisa. Assim sendo, o que fomos no passado, verdadeiramente falando, já não seria surpresa no presente. Porque sempre teríamos sido a mesma pessoa. 

Parece paradoxal, mas até que faz sentido. Tomando como base a teoria aristotélica relacionada ao Ato e Potência, quem fomos no passado é igual, em termos, ao que somos agora. A Potência se volta para a transformação das coisas. Desse modo, quando jovens, já éramos pessoas com algum potencial para discutir temas filosóficos. Porque a "sementinha da discórdia" chamada dúvida já existia e que floresceu, gerou frutos, tempos depois.

Desse modo, quem se volta para questões políticas, sempre teve essa questão da transformação na sua essência. É preciso, realmente, discutir. Faz-se necessário que tudo seja esclarecido para que possamos viver, todos, mais dignamente no futuro. Que possamos ter uma velhice menos problemática que nos faça olhar para o passado, nos finais de semana nostálgicos, e tenhamos a certeza de que tudo o que foi feito terá valido à pena.

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