quarta-feira, 8 de outubro de 2014

De discursos, saúde e arrecadação

A sessão, desta quarta-feira, da Câmara Municipal de Mossoró foi marcada por embates relacionados ao resultado da eleição passada. Entre vencedores e vencidos, do discurso de que a cidade perdeu representatividade, dos achincalhes que vencedores estão fazendo sobre os que não tiveram sucesso nas urnas, algumas palavras do vereador Ricardo de Dodoca (PTB) chamaram a atenção do blog.

É que, em meio á discussão entre vitoriosos e derrotados, o parlamentar quis deixar entender que o prefeito Francisco José Silveira Júnior (PSD) estaria fazendo muito pela saúde e que não se poderia dizer que ele nada fazia. E citou a abertura da UPA do Belo Horizonte, a ida do serviço de ortopedia para lá, a vinda de 18 médicos, etc, etc e etc.

Vereador, é preciso entender que a abertura da UPA do Belo Horizonte foi feita em decorrência de determinado momento. O prefeito precisava de algum fato novo para alavancar sua popularidade. Não que a Unidade de Pronto Atendimento não tivesse que ser posta em funcionamento ou que a população residente naquele bairro não tivesse o direito de ser atendida por lá.

Não se trata disso. O que se questiona é o tratamento que vem sendo dispensado à UPA do Belo Horizonte em detrimento das duas já existentes. Por quais motivos a do Belo Horizonte tem que ter "atendimento vip"? Será que é pelo fato de ter sido posta para funcionar pelo atual prefeito? E as outras duas merecem tratamento desigual somente pelo fato de terem sido construídas e postas para funcionar em governos anteriores? É bom lembrar que a UPA do BH foi construída na gestão Fafá Rosado (PMDB).

Falar que muito tem sido feito é menosprezar o movimento grevista. Até porque a greve tem algum sentido de existir. E não se trata apenas de reajuste salarial da categoria. Pelo menos é o que os profissionais da área dizem e o que apregoa o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum).

É por falta de médicos nas Unidades Básicas de Saúde, pela morosidade em tratamentos diferenciados (de média e alta complexidade), ausência outros profissionais da área nas UBS, de medicamentos. Enfim, são problemas comuns, mas que afetam diretamente a vida do cidadão que busca atendimento. Até porque não existe dia ou hora para se adoecer. A doença simplesmente vem. E, em alguns casos, esta surge com a morte. É inevitável e todos estamos propensos a tal.

O discurso de que o prefeito faz isso e aquilo não basta. É preciso mais. O cidadão merece mais. Esse discurso fica para cidade de pequeno porte, onde o popular sempre fica à mercê da própria sorte. Mossoró não tem mil ou cinco mil habitantes. São quase 300 mil habitantes. Portanto, não dá para permanecer ou continuar na vertente interiorana, de município pequeno. As ações devem ser do tamanho que a cidade merece e precisa. De pequenez, basta o sentimento de politicagem que reina em toda e qualquer discussãozinha nas redes sociais, onde o senso comum impera e faz valer a máxima da babação desenfreada.

Obviamente que a Prefeitura de Mossoró enfrenta dificuldades. Até financeiras. É a lógica econômica nacional. Se existe retração na arrecadação brasileira, o reflexo é sentido nos municípios. Mas isso precisa ser dito, explicado, externado. Até para que se evite comentários como este.

Para se ter uma ideia, somente de IPTU, a Prefeitura deixou de arrecadar quase R$ 10 milhões este ano. Mas será que esta queda também se constata no ICMS, royalties e ISS? É disso que o blog fala, da necessidade de se tornar público a real situação financeira do Executivo. O Jornal Oficial do Município (JOM) sempre traz decreto de abertura de crédito. E só se abre crédito quando existe arrecadação excedente. Ou não?  São fatos que precisam e devem ser esclarecidos.

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