quarta-feira, 1 de outubro de 2014

#arrochaprefeito. Sqn!

#arrochaprefeito. Se fosse uma hastag no Twitter, talvez esse jargão tão conhecido nas falas de personagens do espetáculo "Chuva de Bala no País de Mossoró"  tivesse atingido o pico de publicação e republicação nas redes sociais. Mas não foi. A frase, dita ao encerramento do Cortejo da Liberdade na noite da terça-feira última, serviu para evidenciar algo mais do que uma simples concordância com algo que vem sendo feito: serviu para externar que o prefeito Francisco José da Silveira Júnior (PSD) não estaria tão bem quanto se tenta apregoar. Fosse diferente, não precisaria de faixas ou de "silveiretes" gritando uma espécie de mantra para tentar propagar algo bom.

E isso se constatou quando, em pleno desfile cívico, sindicalistas e servidores que estão em greve furaram o cerco e entraram no chamado eixo do Cortejo. Portando faixas e cartazes, sindicalistas ligados à CUT e ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum) cumpriram o prometido: desfilaram de preto e externaram suas razões.

Externaram mesmo contra a vontade da produção do Cortejo da Liberdade, que tentou impedir a entrada dos servidores da saúde na Avenida Alberto Maranhão. O titular do blog presenciou quando membros da produção conversaram com policiais que faziam a segurança no local para tentar frear a ação dos sindicalistas. Houve reação do público presente, e alguém gritou: "que liberdade é essa?".

Bom, o certo é que os sindicalistas e grevistas desfilaram suas razões. Mostraram suas faixas e cartazes ao público e às autoridades que estavam no palanque mantado quase em frente à Capela de São Vicente.

E foi aí que os (as) "silveretes" entraramem ação. Para tentar abafar o protesto dos grevistas, a militância do prefeito - alguns, inclusive, haviam sido nomeados para cargos em comissão - passaram a entoar o mantra "#arrochaprefeito".

A impressão que se teve foi de que a "manifestação popular", do "#arrochaprefeito", foi precisamente pensada para abafar a movimentação dos grevistas. A começar pelas faixas, da qualidade do material apresentado e da unificação deste. Popular algum, mesmo que idolatre algum político, iria "criar" aquilo ali. Por isso que a impressão foi de que os "silveretes" foram devidamente orientados a externarem uma aclamação indevida e em local impróprio.

Até porque ali não era ato político. E o que se passou foi de que o 30 de setembro, o Cortejo da Liberdade, teria sido organizado para aclamar algo que não precisava. Como se o prefeito precisasse daquele tipo de "manifestação popular" para dizer que estaria com aceitação administrativa em alta.

O grito "arrochaprefeito" remete aos idos de 1927, quando o então prefeito Rodolfo Fernandes reagiu às investidas do bando de cangaceiros liderados por Lampião. Não estamos naquele tempo. Mas, ao que parece, quem não concordar com a administração municipal seria apontado como algum cangaceiro que estaria disposto a saquear a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte e, por isso, teria logo que ser defenestrado: suas falas e posições são abafadas por militantes e pessoas que possuem ligações diretas com o serviço público local.

Lastimável!

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