sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Mulheres: não engravidem

Manchete que nenhum jornal gostaria de dar e em um quadro que nenhuma cidade brasileira gostaria de apresentar: "Crise envolvendo maternidades provoca morte de três bebês". Saiu hoje no jornal Gazeta do Oeste. Uma situação realmente lastimável, ainda mais quando Mossoró busca renovar o título de "Município Aprovado", pelo Unicef. É bom lembrar que os índices negativos registrados agora não serão analisados pelo Unicef. E isso quer dizer que, aos olhos dos organismos que medem a segurança de vida às parturientes e recém-nascidos, que está tudo bem por estas bandas. Mas não está.

A crise na saúde municipal só cresce. E não surge um único projeto para melhorar o quadro. Fala-se muito que a Prefeitura de Mossoró teria interesse em assumir o controle da Casa de Saúde Dix-sept Rosado, que é controlada pela Apamim e que enfrenta problemas na Justiça do Trabalho, que pediu a interdição do local duas vezes.

Mas de quem é a culpa? Como não se tem ninguém para assumi-la, daqui a pouco vão dizer que as culpadas são as mulheres, que engravidam desnecessariamente.

Hoje a vereadora Izabel Montenegro (PMDB) disse algo que deveria ser analisado pela Prefeitura de Mossoró: suspender a Festa da Liberdade. Afinal, como Mossoró vive esse momento caótico, liberdade é algo que não se tem. Especificamente as mulheres grávidas e que necessitam de atendimentos urgentes e emergentes. Que não podem esperar. Que podem morrer. Que podem perdeu seus filhos, como se noticiou no jornal Gazeta do Oeste - edição desta sexta-feira.

Festa da Liberdade para comemorar o quê? Certamente que é algo que a cidade viu em anos anteriores e que já tem certa tradição. E talvez o prefeito Francisco José Júnior não queira entrar para a história como o único prefeito que não realizou o tradicional evento. Mas pode entrar para a história por outro motivo. Mesmo não sendo dele a culpa pela situação em que se encontra a Casa de Saúde Dix-sept Rosado, a saúde local é plena. E isso quer dizer que a Prefeitura poderia tomar decisões mais enérgicas e encontrar maneiras outras para garantir local, ou locais, para que as mulheres grávidas parirem seus filhos.

Bom, mas o blog não é consultor e nem presta assessoria. Apenas se escreve aqui o que se vê pela cidade. Quem duvidar do clamor que as grávidas estão fazendo, basta pedir cópias, nas rádios AM's de Mossoró, de programas matinais. Dá dó.

Só resta fazer um pedido. E vai para as mulheres: não engravidem!

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