segunda-feira, 23 de junho de 2014

Silveira sente a pressão do PSD para impor decisão

O blog cansou de dizer neste espaço: assessor não deve concordar com tudo e o seu papel em todo e qualquer trabalho é o de orientar. Assim sendo, o prefeito Francisco José Júnior (PSD) pode estar sendo levado, indiretamente, a cometer erros se seguir o conselho de alguns. Em especial os que querem e que Silveira lance candidato a deputado estadual "próprio" e faça valer a liderança que passou a ser com sua eleição em 4 de maio último.

Ocorre que não é assim que o bonde caminha. O prefeito de Mossoró está oficialmente no cargo há poucos dias e sua administração, de fato, só começará a partir de 2 de julho próximo, quando ele oficializará novos secretários com base na reforma administrativa já anunciada. E, com a reforma, a exoneração de todos os servidores comissionados. Esta última parte, sem problema. Mas pode vir recheada de dores de cabeça se o prefeito não tomar decisões pensadas.

É óbvio que Silveira quer que seus candidatos sejam bem votados em Mossoró. Isso é fato. Mas também é fato que ele não deve acabar com o grupo, criado por ele recentemente, em nome de um projeto de três meses. Seria substituir dois anos e meio por apenas 90 dias. E quando a eleição acabar, em outubro, o prefeito mossoroense se verá aperreado. Sim, pois por mais que o vice-governador Robinson Faria (PSD) seja eleito governador do Rio Grande do Norte, a base de Silveira não estará na Governadoria. Não estará em Natal.

O que o blog quer dizer é que compreende que Silveira Júnior venha sendo pressionado. Até por Robinson Faria, a fazer valer o poder da sua caneta. Robinson quer, obviamente, o apoio de todas as lideranças possíveis em Mossoró. Mas é aí que está a questão: a base do prefeito mossoroense é bem divididinha: PV, PTB, PDT e outros estão na sustentação política de Silveira, mas as executivas estaduais fecharam apoio à candidatura de Henrique Eduardo Alves ao Governo do Estado.

Se o prefeito de Mossoró embarcar na onda de Robinson Faria vai ficar em situação delicada posteriormente: não terá base alguma.

O blog crê que, apesar da vitória em 4 de maio passado, na eleição suplementar, o prefeito Silveira Júnior ainda não reúne as condições necessárias para tentar se manter como liderança em ascensão. Não que ele não seja, mas o que está em jogo não é apenas isso. É algo futuro.

Vejamos: a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que foi alijada pelo seu próprio partido, caminha para apoiar Robinson Faria. Ela, certamente, estará no mesmo palanque de Silveira Júnior em Mossoró. Assim sendo, caso Robinson Faria seja o vitorioso, o lucro eleitoral, inevitavelmente, serão creditados a Rosalba. E como fica Silveira? Certamente em situação delicada.

E essa situação passará a ser mais delicada em dois anos, quando Rosalba Ciarlini certamente vai disputar a Prefeitura de Mossoró. Em outras palavras, Silveira dará visibilidade a Rosalba, que assumirá todo o êxito de uma suposta vitória de Robinson e se projetará para, em 2016, tentar derrotá-lo.

Além disso, Silveira ficaria praticamente isolado, já que se for na onda de Robinson Faria - de pressionar e tirar "vantagens" de quem o apoiou nas eleições suplementares por não ter seguido com ele agora.

Outro fator que poderá trincar a imagem do prefeito de Mossoró é a possibilidade do seu partido lançar um candidato a deputado estadual. Tem se falado, pelo próprio Robinson Faria, que o vereador Jório Nogueira será postulante à Assembleia Legislativa, ou que o pai do prefeito, Francisco José (PROS) tentará retornar ao Legislativo.

Caso tais especulações se confirmem, será quebra de palavra: o próprio Silveira afirmou, inclusive a este blog, que seu candidato seria o deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM). Tudo devidamente acordado quando da eleição suplementar. Talvez em meados de abril passado. Não pegaria bem agora, eleito prefeito, Silveira esquecer o que disse e seguir o que vem dizendo o vice-governador Robinson faria.

Como se vê, o blog mantém o que disse no início deste post: cabe a quem está próximo ao prefeito orientar. Assessoria não é apenas para fazer valer o que está em organograma funcional. É para orientar, aconselhar e discordar do que uns tentam apregoar como certo, correto e coerente.

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