terça-feira, 24 de junho de 2014

Henrique combina com lideranças e esquece o povo

O deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) vai ter o nome oficializado como candidato ao Governo do Estado com um leque de cerca de 20 partidos. E alguém pode até dizer: puxa, o cara é mesmo um articulador! E é aí que está a questão. Henrique certamente não está "atraindo" esses partidos de graça. Acordos devem ter sido feitos a curto, médio e longo prazos. Ele pode até estar combinando com as lideranças, como o senador José Agripino maia (DEM), que deu rasteira na governadora Rosalba Ciarlini (DEM), com a ex-governadora e vice-prefeita de Natal Wilma de Faria (PSB) com o prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Motta (PROS), e outros. Mas falta o básico: combinar com o eleitor.

E é aí que o principal opositor de Henrique Alves, o vice-governador Robinson Faria (PSD), tem a vantagem. Robinson tem gastado sola de sapato sem parar. Tem circulado por todas as regiões do Estado. E aposta alto no eleitorado mossoroense, por meio do prefeito Francisco José Júnior (PSD), e também pela governadora Rosalba Ciarlini - que tende a apoiar a postulação de Robinson.

O certo é que Henrique Eduardo Alves não empolga. Nem dentro do próprio partido. Peemedebistas não estão assim tão empolgados com o que Alves apregoa e não têm tanta certeza de que ele sairá vitorioso. 

O problema é simples: Henrique tem priorizado acordos com presidentes de partidos e deixado de lado o contato com o povão, que é quem elege. Ele, Henrique, pode até apostar na transferência de votos, mas esquece uma regra básica: o eleitor vota, no máximo, em dois nomes em eleição estadual sob orientação de prefeitos: para deputado federal e estadual. O voto para senador e governador é próprio, sem interferência. E Henrique parece que esqueceu disso.

E a questão de Mossoró é um caso à parte. Na sexta-feira passada ele havia marcado para vir à cidade para assistir ao espetáculo "Chuva de Bala no País de Mossoró" na companhia da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB). E não veio. Ele teria recebido uma ligação telefônica da deputada federal Sandra Rosado (PSB) em tom ameaçador. Sandra teria dito que se ele viesse, no dia seguinte ele iria saber pela imprensa que ela teria rompido politicamente com ele. E Henrique não veio.

Como se vê, não é só em Mossoró que isso acontece. Em Pau dos Ferros é a mesmíssima situação. Henrique acertou com todo mundo, pôs no papel algo que ele achava a melhor coisa do mundo, mas não previu a insatisfação de lideranças com lideranças. A chamada política paroquiana, que é a que vale. Que é a que empolga.

E, ainda em Mossoró, como será que Henrique vai se comportar ao lado de Sandra Rosado, da deputada estadual Larissa Rosado (PSB) e da ex-prefeita Cláudia Regina (DEM)? Cláudia e Larissa protagonizaram cenas da mais acirrada campanha em Mossoró. E agora, por meio de um acordo envolvendo DEM, PMDB e PSB, as duas vão estar no mesmo palanque. E pedindo votos para Henrique. Como o eleitor de Cláudia vai se comportar, sabendo que o PMDB optou por ficar com o PSB na eleição suplementar? Como é que o eleitor de Cláudia vai ficar sabendo que José Agripino Maia praticamente descartou sua pupila na eleição suplementar e sequer veio à cidade?

E quem ganha com isso é o prefeito Francisco José Júnior, que tem feito um hercúleo trabalho de base em torno da candidatura de Robinson Faria. Se o prefeito levará a melhor, ninguém sabe. Mas o certo é que Henrique terá que gastar muito a voz para tentar se explicar ao eleitorado mossoroense.

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