terça-feira, 27 de maio de 2014

Menos, Henrique. Menos

As pessoas têm que decidir o que querem. Frase dita pelo presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves (PMDB), que quer ser candidato único ao Governo do Estado nas eleições de outubro próximo. Uma frase, diga-se de passagem, totalmente contraditória. Até porque não dá para decidir nada com apenas um nome.  E, também diga-se de passagem, é um projeto altamente complicado: Henrique não tem como beneficiar gregos e troianos e garantir eleição e reeleição de deputados (federais e estaduais).

Assim posto, o blog tem a seguinte dúvida: como Henrique vai garantir a reeleição de Paulo Wagner (PV), Felipe Maia (DEM), Sandra Rosado (PSB) e Betinho Rosado (PP) e, ao mesmo tempo, assegurar a eleição à Câmara Federal de Antônio Jácome (PMN), Rafael Motta (PROS), de Rogério Marinho (PSDB) e da irmã de João Maia? Sobrariam duas vagas nesse plano mirabolante de Henrique: a de Fátima Bezerra (PT), que disputará o Senado e apoiará Fernando Mineiro (PT) ao Legislativo federal, e de Fábio Faria (PSD).

Como se vê, Henrique viaja na maionese. Tem gente de mais para poucas vagas. Saliente-se que Henrique ainda quer minar prováveis adversários, como a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e o vice-governador Robinson Faria (PSD). O plano contra Rosalba, contudo, não tem o presidente da Câmara Federal como articulador: é o próprio presidente do Democratas, senador potiguar José Agripino Maia. Mas o que danado levaria Agripino a projetar algo contra o próprio partido?

E vamos às contradições: Henrique quer ser o candidato da mudança. E é justamente aí que está a questão. Como é que alguém vai mudar alguma coisa se seu passado é marcado por aspectos negativos? Henrique tem o apoio de Wilma de Faria (PSB) - ex-governadora que teve a gestão marcada por escândalos e que teve apoio de Henrique. Tem também o respaldo do ministro Garibaldi Filho (PMDB), que também não tem histórico administrativo sem mácula. Lembrem do caso Gusson e da venda da Cosern. Tem o apoio do ex-governador Fernando Freire, que é acusado também de improbidade administrativa. Tem o ex-governador Geraldo Melo, considerado como o pior governador à educação.

Enfim, são tantos aspectos negativos que o discurso de mudança não vinga. Henrique Eduardo Alves está na vida pública há pouco mais de quatro décadas. São mais de 40 anos como deputado federal. E nesse tempo não conseguiu emplacar nenhum indício de que poderia ser a mudança, de que seria o "salvador da pátria", que seria a última coca cola no deserto.

Aliás, Henrique e sua trupe (menos Wilma, e Fernando Freire) apoiaram o governo Rosalba. Somente agora ele percebeu que a gestão democrata potiguar está ruim das pernas.

Voltando ao início deste post, o eleitor realmente precisa fazer a opção. Mas Henrique não quer que o cidadão tenha esse direito e pretende impor algo exclusivo, único. Como se fosse a redenção para os pecados que assola o Rio Grande do Norte. Menos, Henrique. Menos.

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