quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Decisão agora não é mais do povo

Clima de total insegurança administrativa em Mossoró. Nunca se viu tanto temor na segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, decorrente de uma vitória que está com sua legitimidade questionada pela Justiça Eleitoral e com base em denúncias da coligação "Frente Popular Mossoró mais Feliz", que defendeu a candidata derrotada Larissa Rosado (PSB).

A prefeita Cláudia Regina (DEM), mesmo diante de toda a celeuma e da tensão provocadas pelas decisões judiciais, tem se mantido serena e feito valer o sentimento maior, que é administrar em meio a tanta adversidade. Hoje à tarde mesmo, quando já se cogitava a posse do vereador Alex Moacir (PMDB) - presidente em exercício da Câmara Municipal, ela estava em reunião com seus auxiliares.

O certo é que, mesmo que obtenha a liminar que lhe garanta responder ao processo no cargo, a prefeita passará algum tempo com a sombra da cassação do seu mandato à espreita. Pressão total para quem deveria se voltar exclusivamente à discussão dos problemas da cidade e suas respectivas soluções. Por mais que se tente não sentir o peso ou o reflexo negativo que paira sobre Mossoró, é impossível evitar absorver questiúncula que vem das rodinhas políticas.

Porém, tudo faz parte do exercício da democracia. O fazer política tem dessas coisas. Quem ganha, necessariamente, não leva. E é aí que mora o perigo: reduz-se a importância da democracia por decisões frias. Troca-se o valor e o calor humano das ruas por algo seco e traumático. Sim, porque o Direito, em si, não é humano. É algo mecânico. Vence quem souber utilizar as brechas que se apresentam na própria Justiça. E o eleitor, que foi ás ruas, que brigou e defendeu seus candidatos sempre fica em segundo plano.

Não faz sentido se ter três meses de campanha, o povo decidir para, posteriormente, essa decisão popular ser ignorada. Seria mais fácil e menos traumático que a Justiça escolhesse quem governaria uma cidade, Estado ou a Nação. Assim, todos ficariam bem. Principalmente quem depende dos serviços públicos, que passam a ser ameaçados a partir da incerteza criada com a instabilidade advinda de decisões técnicas, mas necessárias, e que subtraem todo e qualquer aspecto democrático vigente em uma eleição.

Mas a política é isso mesmo. O fazer política tem dessas coisas. Mesmo que a prefeita consiga o direito de responder à acusação de que teria sido beneficiada por conduta vedada praticada pela governadora Rosalba Ciarlini, o estrago já terá sido grande, Não só na prefeita e na sua equipe, e sim em toda a cidade.

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