quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A visão de quem acompanhou o 1º debate em Mossoró

O primeiro debate entre os cinco candidatos a prefeito de Mossoró, que acabou agora a pouco e promovido pela OAB/Mossoró, serviu para mostrar alguns detalhes que merecem ser comentados. De cara, a confirmação de que as duas candidatas com maior projeção eleitoral levaram esse aspecto ao embate, bem como a tese de que é preciso preparo para ir a um debate que priorize uma discussão acerca dos problemas de Mossoró e de suas respectivas ações para saná-los.

É fato que os candidatos de oposição não reconhecem, e nem poderiam fazê-lo, o desenvolvimento social e econômico de Mossoró. Não seria nenhum demérito reconhecer, mas pelo simples fato do fazer oposição, esquecem esse detalhe e o qual, certamente, começa a pesar na balança que culminará com a opção do eleitor nas urnas.

As candidatas Cláudia Regina e Larissa Rosado tiveram seus momentos de confronto direto. Esperava-se, contudo, que houvesse acirramento entre elas, que apresentaram maturidade política para evitar o comum. Por outro lado, a ausência desse confronto deixou uma lacuna no debate.

Os candidatos Ednaldo Calixto (PRTB), Josué Moreira (PSDC) e Cinquentinha (PSOL) cumpriram seus papéis. Foram coerentes com o que se propuseram ao sair candidatos a prefeito. Porém, a falta de um aprofundamento das questões relacionadas à cidade em si deixou que eles ficassem no lugar comum. O que eles passaram ao telespectador foi apenas uma mensagem repetitiva do que já se viu antes, claro com alguns momentos positivos para os três.

A candidata Larissa Rosado não aparentou segurança em momentos cruciais do debate. É que ao discorrer sobre temas sérios, o sorriso não lhe saiu dos lábios. A imagem que passou foi a de que a orientação passada pelo seu marketing era esse: sorrir para o eleitor. Mostrar intimidade com a cidade e com sua gente.

A pessebista usou e abusou de uma estratégia equivocada. A frase "cuidar das pessoas" é uma das marcas da prefeita Fafá Rosado (DEM), que tem usado essa expressão em todas as entrevistas e eventos. Larissa passou a imagem de que, ao utilizar essa expressão, estaria tentando fisgar o carisma que a prefeita possui, inegavelmente e que ela, a candidata do PSB, ainda não possuiria.

Foi forçada a expressão e, na maioria das vezes, soou inoportuna e destoante do que ela é: oposição. Além disso, ao não-reconhecer avanços proporcionados pela administração atual, a candidata do PSB deixou entender que, caso seja eleita, não terá tempo suficiente para resolver os problemas que foram listados durante o debate. 

Ora, qualquer pessoa em sã consciência sabe que a meta de um prefeito é desenvolver seu município. Se a candidata do PSB não vê esse desenvolvimento, mesmo em uma administração de oito anos, como está sendo a de Fafá Rosado, como recuperar o que ela deixou entender como "tempo perdido" em apenas quatro anos?

Falha grave do marketing. Da coordenação da campanha em si.

Já a candidata Cláudia Regina, num primeiro momento, se mostrou nervosa com o primeiro debate. mas reconquistou a sobriedade ao falar sobre algo que ela conhece: a questão social de Mossoró. Além disso, o fato de Mossoró estar em alta com relação aos índices sociais, já propagados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN), os deixaram a democrata mais à vontade para defender suas ideias sem, contudo, reconhecer os avanços.

Mas como foi o primeiro debate entre os cinco postulantes ao Palácio da Resistência, os próximos devem ser mais emocionantes. Certamente o marketing de Larissa Rosado deve corrigir as falhas que foram percebidas claramente e, nos outros encontros, ela deverá se apresentar com um discurso mais coerente entre o que se diz e o que se vê.

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