quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um cenário que tende a se repetir

O cenário se repete. Em 2002, quando a ex-prefeita de Natal Wilma de Faria (PSB) partiu para a disputa pelo Governo do Estado, foi dito que ela não venceria e que não teria chances para enfrentar a máquina do governo, então controlada pelo governador Fernando Freire, que tinha assumido o cargo com a saída de Garibaldi Filho - que disputou uma vaga ao Senado. Agora, a mesma ladainha.
Para entender o discurso de agora é preciso voltar a 2002. Fernando Freire, pouco conhecido no interior do Estado, entrou para a reeleição tido como favorito. Depois perdeu esse status para Fernando Bezerra, à época senador pelo PTB. Pesquisas e mais pesquisas foram divulgadas. manchetes de jornais alardearam que Fernando Bezerra venceria. Sequer foi para o segundo turno.
Foram Wilma e Fernando Freire. O governador perdeu a parada para a então ex-prefeita da capital.
Mas o que foi que Wilma fez para ganhar: simples. Ela, já prevendo que Garibaldi FIlho deixaria o Governo do Estado para a disputa ao Senado, tratou de criar a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), sendo a primeira presidente da entidade. Com essa jogada, percorreu todo o Estado, massificando seu nome nos municípios, buscando apoios e fechando acordos.
Foi um dos motivos que a fizeram chegar ao Governo. Além disso, o fato de se ter um governador pouco conhecido também favoreceu Wilma de Faria.
Agora tudo se repete. Wilma saiu do Governo do Estado para tentar ser senadora. Assumiu o
vice, Iberê Ferreira de Souza. Conhecido na sua região, a Trairi, mas pouco massificado nas outras regiões. Tentou percorrer os caminhos de Wilma, tendo o suporte da Secretaria Estadual dos Recursos Hídricos. Encontros da Água foram realizados. Se surtiu efeitos, até agora os números de pesquisas não mostraram.
O caso de Rosalba Ciarlini, senadora, é inverso. Tão logo foi eleita ao Senado tratou de andar o Estado de ponta a ponta. Como Wilma costumava dizer nos debates em 2002, gastou muita "sola de sapato", já costurando entendimentos para as eleições deste ano.
Em 2008, fincou pés em Natal, maior celeiro eleitoral do Estado e, pelo visto, atingiu o objetivo, já que lidera todas as pesquisas de opinião pública divulgadas até agora.
Se Rosalba vencerá, aí é outra história, pois não se pode menosprezar a capacidade política de Iberê, que foi eleito seis vezes à Câmara Federal e sabe, no popular, os caminhos das pedras.
O resultado pode ser previsto, mas também pode apresentar surpresas, já que nenhum dos três candidatos ao Governo do Estado é inexperiente. Contudo, pelo fator do conhecimento do nome e da popularidade constatada nas sondagens eleitorais, tudo caminha para que o quadro eleitoral de 2002 se repita em 2010.

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