terça-feira, 13 de março de 2018

Implicações morais e éticas causam danos políticos a Robinson Faria

No mínimo, desvio de conduta ética e moral. No máximo, crimes diversos contra o patrimônio público. E o que resultou? Na vitória do ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-vice-governador Robinson Faria (PSD) ao Governo do Estado. Trata-se de denúncia de que ele era beneficiário do esquema de corrupção que perdurou na AL durante os anos de 2003 a 2010, como enfatizou a operação “Dama de Espada”, realizada pelo Ministério Público e que resultou na descoberta de crime contra o patrimônio público, de desvio de verba com uso de servidores fantasmas. A principal personagem dessa história, Rita das Mercês, afirmou, em delação ao MP, que o governador Robinson Faria teria recebido R$ 100 mil/mês. O tema em questão foi mostrado no Fantástico, edição de domingo que passou, no quadro “Onde está o dinheiro que estava aqui?”.

Para uns, notícia requentada. Mas, para o cidadão que tem o direito de saber o que ocorre com a classe política eleita para representá-la nos poderes Executivo e Legislativo, o que se mostrou na televisão talvez não seja “um terço” do que realmente aconteceu.

Robinson Faria é alvo da operação Anteros, que seria uma ramificação da “Dama de Espadas”. A Anteros colheu documentos na Governadoria e na casa do governador.

O governador pode até dizer que não existe novidade no que o Fantástico mostrou. Mas é bom lembrar que se trata de verba pública. E, portanto, é dever dele, seja governador, vice-governador ou presidente da Assembleia Legislativa, apresentar comportamento ético à sociedade, e não ficar articulando para salvar a “pele” de Rita das Mercês ou enviar R$ 5 mil/mês para um dos filhos dela, como forma de comprar silêncio de ambos.

A novidade que foi mostrada pelo programa da Rede Globo está na entrega de pacote de dinheiro pelo assessor do governador Robinson Faria, Adelso Freitas, a Rita das Mercês, além de mostrar diálogos de Rita com Adelso, nos quais está claramente e textualmente a afirmação de que o governador não iria deixá-la em maus lençóis e que iria pagar a conta dos advogados. O dinheiro que ela recebe seria para não contar o que sabe.

E fica a pergunta: o que Rita das Mercês sabia? E mais outra: o que o governador queria esconder? Só dúvidas que são marcadas por esquema de corrupção. A reportagem ainda destacou a Operação Candeeiro, que investigou o surrupio, em valores atuais, de quase R$ 35 milhões do Instituto do Desenvolvimento Econômico e Ambiental do Rio Grande do Norte (IDEMA/RN), e que envolve o governador e principalmente o deputado Ricardo Motta (PSB), sucessor de Robinson na presidência da Assembleia Legislativa.

O certo é que a veiculação da matéria no Fantástico apenas serviu para piorar o que já estava ruim: a imagem do governador, que enfrenta 85% de rejeição, segundo números de pesquisa recente divulgada pela empresa Consult.

NOTA
Em nota à imprensa, o governador Robinson Faria afirmou que o material veiculado no Fantástico é requentado e que não tem novidades. Disse que acionará a Justiça para punir quem vazou os vídeos, pois o processo tramitaria em segredo de justiça.

Nenhum comentário: