terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A igualdade de todos em uma sociedade bem desigual

Vira e mexe o mesmo assunto vem à tona. Parece catimbó ou carma pesado. Mas é algo que se debate desde a Grécia Antiga e, ao que parece, é um tema inesgotável. Para quem é professor de Filosofia ou Sociologia, então, tudo se traduz em uma só palavra: mantra. Sim, os jovens de hoje são iguais aos do passado. A diferença é que existem muito mais informações à disposição. Basta dar um clique e pronto: o mundo surge para todos.

Dia desses em sala de aula no Centro Educacional de Aprendizagem Moderna (CEAMO), onde leciono Filosofia e Sociologia, assuntos já tidos como saturados para uns voltaram com força. É que quando se discute a liberdade, por exemplo, só se pensa no particular. O outro, como sempre, é escanteado. E tudo a partir dos rótulos, dos estereótipos.

Todas as nossas percepções de mundo surgem a partir dos estereótipos. Entre um rótulo e outro, vamos construindo imagens e destruindo outras. Como se o mundo e as pessoas fossem cobertas com meras embalagens comerciais. Mas se formos pensar bem, é isso que somos: embalagens que dependem de um bom marketing para serem vistas, consumidas e apreciadas.

A partir dos rótulos, da adjetivações que e faz sobre os outros, é que vamos construindo uma imagem positiva ou negativa das pessoas. E se a embalagem nos for aprazível aos olhos, certamente não se terá problemas, pois o que estamos vendo passaria a ser verdadeiro. Pela Filosofia, a verdade, assim como a beleza, estaria nos olhos de quem as vê. Daí não se ter maiores problemas quando a embalagem nos satisfaz.

Mas quando ocorre o contrário, surgem os problemas: do estereótipo passamos para o pré-conceito. Ou conceito pré-concebido. Tem coisa pior do que incorrer ou recorrer a tal artifício? Todos nós temos preconceitos. A famosa ideologia surge para ampliar o conceito prévio sob os auspícios da religião, gênero, sexo, economia, política e da própria sociedade.

Desse modo, todos somos pessoas preconceituosas. Não há como nos livrarmos disso. É igual uma praga: quando empesta, não tem quem cure. E,de fato, não existem meios de evitar o famoso conceito prévio sobre tudo. está impregnado na essência humana e faz parte da vida.

Dito isto, e saindo do conceito prévio, é a vez da discriminação aparecer. É, sem dúvida, o câncer maior da sociedade. Quando se rotula alguém, institui-se um conceito prévio sobre tal pessoa e, com isso, ocorre a discriminação, que é o afastamento, o escanteamento. A morte social de alguém que não nos é aprazível aos olhos.

Como se o outro fosse uma mera peça descartável que fosse escanteada somente pelo fato de não agradar aos nossos olhos. 

No exercício diário sobre os nossos pensamentos sobre as outras pessoas, estas constatações casam perfeitamente com a realidade de cada um e cada uma que, por ventura, possa estar lendo estas linhas: tudo começa com os olhos e neles tudo termina. E, antes que este escrito verse sobre o racismo, que ao ver do titular deste espaço, é um debate sem sentido, pois só existe uma raça, encerra-se aqui algo que nem começou: o debate sobre a igualdade de todos em uma sociedade bem desigual.

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