segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Onde está a humanidade?

Deixo para vocês texto da professora Janaína Alves, que leciona na Faculdade Mater Christi. Boa leitura!

Profa. Janaina Alves

O ser humano, em toda a sua trajetória pela busca do conhecimento e da sabedoria, almejou sempre evoluir, ter poder de transformar, de comandar e de mudar o mundo em favor de seu próprio benefício. Podemos fazer uma retrospectiva histórica pela era do homem das cavernas e nos encontraremos com seres que agiam como animais, viviam em grupos nômades, que se deslocavam constante em busca de sobrevivência. Ao longo da história, esse mesmo homem foi se evoluindo e procurando cada vez mais aprimorar sua forma de vida com seu grupo e consigo mesmo.

Podemos lembrar descobertas e invenções importantes, como a descoberta do fogo, a invenção da roda, o começo da agricultura e da pecuária e, principalmente, da escrita. Estas, assim como outros que vieram sucessivamente, foram contribuições relevantes para que o homem pré-histórico começasse a rabiscar a sua história dentro da história da humanidade, por isso podemos falar aqui de uma metahistória do homem, a criação de uma pequena história dentro de um universo maior. Não falo aqui apenas de evolução dentro do contexto histórico, falo antes tudo da evolução do ser desde a espécie mais remota e primitiva até a chegada evolutiva do Homo Sapiens – homem que sabe. Porém, esse mesmo homem já munido de um cérebro com a capacidade maior de invenção e criação ainda almejava mais.

Surgem grandes invenções e descobertas ao longo dos séculos, como: a descoberta de que o sol era o centro do universo por Nicolau Corpênico, a teoria da relatividade Albert Ainsten, do genoma humano, das células-tronco e de outras ciências que mudarão os rumos dos estudos científicos e do pensamento humano.Ainda assim, a ganância pelo poder persiste e, além de comandar vários campos dos saberes, o homem insiste em comandar os seres de sua própria espécie e por isso surgem os conflitos, as guerras. A criação da bomba atômica – arma poderosíssima capaz de destruir massas imensas de humanos em apenas pequenos segundos.

Lembremos as duas grandes Guerras Mundiais que acontecem em curto período de tempo que destruiu cidades e milhões de seres humanos. Paremos um momento na história e comecemos a refletir sobre essas questões: será que evoluímos mesmo? Se evolução significar luta por poder, por dinheiro, por território e por posição social, sinceramente não evoluímos nada; evoluíram apenas as armas que servirão para aumentar a nossa capacidade de comandar, mandar e poder dizer: eu posso, eu tenho poder de destruir o outro.Voltemos ao curso da história e cheguemos à era tecnológica, no ambiente da criação de máquinas, dos softwares, da alta tecnologia de ponta científica e dos mais modernos meios de comunicação social.

Podemos dizer orgulhosos que somos seres privilegiados porque podemos ficar sabendo em milésimos de segundos desde uma notícia simples como também um acontecimento catastrófico que ocorre no outro lado do planeta, podemos assistir aos mesmos filmes que um europeu assiste, degustar do mesmo paladar de um asiático e fazer compras em lojas norte-americanas sem sair de nosso país e nem de nossas casas. Podemos, ainda, através de um simples clik no teclado de um computador ou de um celular, comunicarmo-nos e conhecer pessoas dos mais variados países e nacionalidades por meio da imensa rede mundial de computadores – a internet. O seu poder é tão forte que hoje a internet é o suporte mais usado para se comunicar, fazer compras, conhecer pessoas e até se relacionar. Mas por outro lado, ela está fabricando escravos, marionetes e meros seres que não conseguem pensar e nem viver sem.

Pensemos bem: Você, caro interlocutor, poderá pensar em refutar meus argumentos e querer dizer que apesar de eu ter razão em alguns posicionamentos, eu teria esquecido de mencionar que apesar de a internet ter o poder de atração sobre as pessoas, mas pelo menos é uma criação não letal. Mero engano seu, caro interlocutor.  A internet é uma criação tão poderosa quanto à bamba atômica, pois ela não só une, mas separa, não faz apenas o bem, alastra também o mal, provoca morte, não cultiva apenas sabedoria ou promove conhecimentos, mas denigre imagens. A internet é a arma que temos em mãos no presente e que pode destruir um ser humano instantaneamente. Estão aí as redes sociais como bons exemplos disso: o MSN, o Orkut, o Facebook, o Badoo e o Twitter, Wat zap, instagram que são usados, muitas vezes, como armas contra o outro, para tentar baixar a autoestima pessoal, para fazer brincadeiras de má fé, podendo levar a pessoa a estágio de crise o que pode provocar a morte. Instantaneamente, as redes sócias podem dá ibope, mas também podem ser um veneno letal.

A morte da qual enfatizo aqui não é apenas a morte literal em seu sentido original, mas é a morte do caráter, a morte da autoestima, a morte da identidade, a morte de personalidade, a morte da ética, a morte da sensibilidade, a morte do amor pela família, pelos pais, pelos amigos, a morte do respeito pelo próximo, a morte pelo respeito a si próprio e consequentemente a morte da humanidade.Sinceramente, perdoem-me, caros interlocutores, mas não me sinto orgulhosa em dizer que fazemos parte de uma era tecnológica.

Sinto dentro de mim e vejo nos olhares humanos uma perda de identidade que se alastra em meio a humanidade que se enche de orgulho ao dizer que são uma sociedade moderna e/ou pós-moderna, mas poucos se reconhecem perante os outros e perante a si mesmo. Não nos sensibilizamos com o outro, não conseguimos mais nos comover quando vemos nas notícias diárias, fatos trágicos, não choramos quando o outro está a chorar, não nos dói quando um dos nossos estão sufocados, pedindo socorro à espera de um olhar, de uma meia volta e de um estirar de mão e de um mínimo de força para levantar. Nós, apenas olhamos, quando conseguimos olhar, e passamos como se fosse apenas um verme no meio do nosso caminho e temos o prazer de pisar em cima e dizer: “O que eu tenho a ver com isso?”.


Por isso, paremos novamente e perguntemos para nós mesmos: Houve evolução humana? Ou apenas as cortinas do cenário foram fechadas em um momento para que os protagonistas trocassem de roupa para o próximo ato? Civilização? Quando houve? E Quando haverá? A barbárie permanece, mas agora de forma mais evoluída e mais potente porque conseguiu fabricar armas mais poderosas e cada vez mais letais. E, infelizmente, não tenho mais palavras, pois eu só tenho a me perguntar: Onde está a humanidade?

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